Esse é o terceiro livro da autora que resenho aqui no blog, e como os outros eu o encaixo como um livro de crônicas, contos e mini-contos.
O livro é dividido em duas partes: Nuvens e Ondas
A primeira parte achei mais leve, com diálogos e contos bem curtinhos, todos demostrando sentimentos profundos, melancólicos, doloridos e tristes.
A segunda parte já eram contos maiores e mais reflexivos, mais fortes as vezes, e nunca perdendo a força de se tentar algo melhor em alguns deles.
É uma leitura rápida, leve e que as vezes te leva a pensar o quão profundo alguns contos são, eu imaginei algumas vezes os personagens quando lia o livro.
Não tenho muito o que falar, o livro é curtinho e só lendo para sentir e visualizar cada sensação descrita nos contos e mini-contos.
Vou deixar um conto para vocês que amei ( pude visualizar toda a história contada ):
Vestida de outono
Muitas vezes, ela se perde, mesmo conhecendo a cidade como a palma da sua mão. Porque se distrai com o ipê florido, o céu em nuances que vão do amarelo-ouro ao vermelho-fogo, passando pelo laranja, roxo, rosa. Ela faz dessas caminhadas um filme mudo, em que falar não é preciso para expressar o susto e a alegria diante do belo, do singelo, do natural.
Inebriados os sentidos, se perde também em pensamentos.
Navega doida entre lembranças e expectativas, mal pode distinguir o vivido do sonhado. Imagina sua vida como um eterno Outono de folhas que se suicidam dos galhos e enfeitam o chão de dourado e marrom. Ela se vê caminhando sobre esse tapete que exala um cheiro gostoso.
Ousa até sentir felicidade, ela que é tão triste. "Se eu fosse uma estação, seria Outono com certeza!", pensa com seus botões, enquanto toca troncos, flores, folhas.
Quando volta a si, ou melhor, quando precisa voltar ao que se costuma chamar !realidade", ela percebe que se perdeu.
Na cidade que conhece como a palma da mão.