"Ele está Vivo!”
Minha principal reação com essa leitura é justamente esta, esse não é um livro comum, durante toda a leitura eu me senti como se os papeis estivessem invertidos, não é um livro que você lê e sim você é lido! Um sentimento bizarro e ainda assim uma experiência única. Em Para cima e não para norte (Leya, 2012) somos transportados para a vida do Homem Plano, que vive em um universo de 2D que conhecemos muito bem, o livro. E sua vida (será que posso chamar assim?) é comum até que em suas andanças e aventuras pelas palavras encontra uma até então desconhecida, uma impressão digital. A partir deste ponto ele começa a duvidar sobre tudo o que considerava verdadeiro e passa a acreditar naquilo que sempre acreditou ser uma fantasia, homens, lugares e um universo 3D.
Após anunciar suas descobertas é tratado como um louco e vai preso, a partir daí que sua aventura realmente começa, pois aprende algo surpreendente “Ler nas entrelinhas” e sua descoberta ganha enormes proporções. O Homem Plano descobre uma forma de passar para o mundo 3D no momento que os leitores passam a enxerga-lo, e somente enquanto isso acontece é que ele pode habitar a 3ª dimensão. Para se manter aqui acaba raptando leitores, espectadores e observadores em geral mantendo assim a ligação.
Até que um dia, depois de muitas noites, decido ficar para sempre no Mundo Espacial, deixando para sempre minha existência plana.
Agarro na minha última mala cheia de letras e atiro-me.
Espalho-me pelo Universo.
Esse é um livro que pode ter significados distintos para cada leitor, durante a leitura tive muitos momentos de profundas reflexões e assim foi preciso deixa-lo um momento de lado ate absorver algumas informações, e o mais impressionante era sequer saber se foi realmente essa a ideia que a autora pretendia passar ou se estava deixando algo passar. Em alguns momentos pude perceber um quê de poesia na narrativa, em outros era impossível tirar aquele sorriso no canto da boca e em outros deixei escapar um “PQP!”.
(...)Ministério da Cultura: “Ninguém desaparece por ler um livro!”
As declarações do Ministério da Cultura já foram contestadas pela comunidade intelectual, que afirma que uma boa história pode mesmo levar-nos até um outro plano, tornando-nos invisíveis ou inacessíveis neste. As declarações do Ministério da Cultura são desnecessárias e memorizam o poder da literatura, em particular e da arte em geral!
Entretanto tenho que deixar um aviso, esse não é um livro de fácil leitura e algumas vezes se torna cansativo, mas posso garantir que é uma obra genial no todo e sua trama é única, assim como a experiência de leitura. É uma leitura que recomendo a todos que estão cansados de livros simples que seguem uma mesma fórmula.