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    A Parte Maldita - Precedida de “A noção de dispêndio”

    Georges Bataille

    Autêntica Editora
    2013
    171 páginas
    5h 42m
    ISBN-13: 9788582170489
    Português Brasileiro
    4.3
    34 avaliações
    Leram65Lendo11Querem141Relendo1Abandonos1Resenhas4
    Favoritos1Desejados141Avaliaram34

    “De fato, do modo mais universal, isoladamente ou em grupo, os homens se encontram constantemente empenhados em processos de dispêndio. A variação das formas não acarreta nenhuma alteração das características fundamentais desses processos cujo princípio é a perda. Uma certa excitação, cuja soma é mantida no correr das alternativas a uma estiagem sensivelmente constante, anima as coletividades e as pessoas. Em sua forma acentuada, os estados de excitação, que são comparáveis a estados tóxicos, podem ser definidos como impulsos ilógicos e irresistíveis à rejeição dos bens materiais ou morais que teria sido possível utilizar racionalmente.” Georges Bataille

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    Felipe Martins27/11/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A figura de Georges Bataille é uma figura desconcertante por vários aspectos. O primeiro deles, e o mais brutal, é a sua inteligência e sensibilidade polivalentes. O homem encarnou a figura mítica de um Leonardo da Vinci do século XX e acredito que "A Parte Maldita" seja a prova incontestável da sua força plural para tocar em absolutamente todos os assuntos. O ideal de um escritor plenamente realizado, pois o que é o escritor além dessa figura assombrosa que tem a ousadia de ser, além de escritor, todos os outros elementos da vida? O nível de ambição empregado em "A Parte..." é algo sem precedentes. Sabemos que Bataille é o maior teórico do Erótico e das relações entre a literatura e a vida que a França viu surgir em seu berço, porém aqui, neste livro nada menos que original e arrebatador, Bataille se debruça sobre um tema estranho à figura de alguém conhecido principalmente por elucubrações sobre literatura e arte: temos um livro de teoria econômica que se propõe a - nada mais e nada menos!- erguer uma teoria sobre o mundo, desde épocas longínquas na História da Humanidade até o século passado. Assim entramos em contato com a posição central do livro: "O sol dá sem nunca receber". Bataille demonstra que a principal atividade humana é consumir (destruir) e não produzir (construir) e que esse consumo, diferentemente da ordem capitalista empregada no termo, é um consumo que visa a destruir sem um fim que a própria destruição, o próprio consumo dessa força excedente que existe no mundo. Bataille nos brinda com uma exposição exuberante dos costumes sacrificiais dos Astecas, da economia singular dos índios norte-americanos, dos paradoxos levantados pela religião Islâmica e pela solução encontrada pelo Tibet para o consumo de sua energia excedente. E no final temos um maravilhoso esboço histórico da situação mundial na época: a tensão constante entre a U.R.S.S. e os EUA e a divisão implacável do mundo entre comunistas e capitalistas. Bataille consome absolutamente tudo: Astrofísica, Biologia, Filosofia, Antropologia, História, Literatura, Artes, Economia etc. O que podemos sentir diante de tamanha força? Bataille é o sol: dá tudo isso sem receber nada em troca além do nosso olhar esbugalhado diante de uma assombrosa capacidade de intervenção e teoria, de análise do mundo e de compreensão da vida. Acredito que os intelectuais e escritores deveriam tê-lo como ideal a se alcançar... Ou como uma figura para assombrar nossas pretensões por vezes tão isoladas de adquirir conhecimento. Um brinde à não-especialização, uma salva de palmas ao Bataille.

    5 curtidas

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    Georges Albert Maurice Victor Bataille

    Georges Bataille nasceu em Billom, França, em 1897. Convertido ao catolicismo, frequentou o seminário em Reims, abandonado, em 1917, pela École Nationale des Chartres. À leitura dos místicos seguiu-se a descoberta de Nietzsche, cujo dionisismo estimulou uma ruptura com a moralidade e a racionalidade burguesas, aproximando seu pensamento da dimensão libertária das experiências limítrofes, como o mal e o erotismo, essenciais em sua ficção (vejam-se as novelas <i>O ânus solar</i>, 1928, <i>Madame Edwarda</i>, 1941, <i>O azul do céu</i>, 1957). Sua obra se enquadra tanto no domínio da Literatura como no campo da Antropologia, Filosofia, Sociologia e História da Arte.

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    Georges Albert Maurice Victor Bataille