Esse foi um livro difícil de classificar porque é inegável que a técnica de escrita está lá, mas a trama...
O Fã-Clube iniciou-se como uma crítica aos grupos que se tornam verdadeiras máquinas de perseguição aos seus ídolos. Não estamos falando aqui de pessoas que compram memorabília e afins, mas de adultos que levam a obsessão ao extremo envolvendo fuga da realidade e crime.
A misoginia é latente nas interações masculinas e mesmo a representação da vítima, a atriz Sharon, é com um olhar hostil. Enquanto os personagens masculinos confundem a personagem com a pessoa acreditanto que a sexualidade exarcebada da atriz é real, a mente desta mantém-se fazendo pouco mais do que planos para se livrar da situação.
Esse teria sido um fio narrativo desculpável se Adam, Howard e demais membros não tivessem suas histórias igualmente desenvolvidas, mas a heroína é pouco mais que um boneco para as ações sádicas e descritivas de cada capítulo.
Creio que o autor conseguiu passar a repugnância de tal comportamento, só que não conseguiu esconder suas próprias fantasias a contento.