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    Inquérito às Quatro Confidências - Diário III

    Maria Gabriela Llansol

    Autêntica Editora
    2011
    183 páginas
    6h 6m
    ISBN-13: 9788575265871
    Português
    3.7
    10 avaliações
    Leram8Lendo3Querem10Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos2Desejados10Avaliaram10

    Conto? Diário? Pinturas em palavras? Poesia? Filosofia? Em Llansol nenhuma e todas as alternativas estão corretas. Existem traços de cada uma delas, e, no entanto, sua escrita é única e não se reduz a nenhum gênero específico. Ou talvez inaugure aqui um novo gênero, o Inquérito. Embora tenha o subtítulo de Diário e, fiel a isso, registre os acontecimentos comuns cotidianos, o registro é feito por uma alma que pesquisa e aceita de forma incomum. Para quem o torvelinho de pó pode ser “o grande acontecimento da manhã”. Começa pelo fim. Pelo “fica dito”. Seus personagens são “Figuras”. Cada acontecimento é uma “Cena Fulgor” que pode ser tudo e pode ser nada. Ao mesmo tempo. Seu leitor é o Legente. Não um leitor que espera o começo, o meio e o fim, nessa ordem. Mas aquele que se abre para a possibilidade de ler e ver com outros olhos. Sua ética é a da paisagem. Que se sobrepõe ao humano. E seu universo é povoado de todos os pequenos nadas que não ganham uma significância extra, mas seu significado inexato. A escrita de Llansol está sempre tangendo o que não pode ser verbalizado. A ansiedade do indizível totalmente expressa na escolha da incompletude. Não a teorização sobre isso, mas o fazer disso. O que, por oposição, se completa. “Há frases que no limiar dos mundos não devem ser escritas por inteiro.” As frases de Llansol, que conseguem muitas vezes total autonomia do seu contexto, foram escritas no processo de perda do seu companheiro filosófico, e cada uma das suasQuatro Confidências enfrenta um espaço de dor universal e também cotidiana. Mas sem o sofrer que é provocado pela não aceitação. O sofrer por ver. O que nos faz lembrar outra escritora da língua portuguesa, a brasileira Maura Lopes Cançado e seu livro O sofredor do ver. Embora, no caso de Maura, as circunstâncias, muitas vezes, se imponham sobre o texto, as duas ressignificam a dor. Talvez porque, como diz Llansol.

    Resenhas (1)Ver mais
    João Meirelles Filho picture
    João Meirelles Filho11/10/2017Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Llansol vale a pena

    A autora é sempre delicada e confessa-se inteira. Merece pelos trechos. Talvez um livro inteiro não funcione!

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    Avaliações

    3.7 / 10
    • 5 estrelas30%
    • 4 estrelas10%
    • 3 estrelas60%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Maria Gabriela Llansol

    Escritora portuguesa de ascendência espanhola, nascida no ano de 1931 em Lisboa. Licenciou-se em Direito e em Ciências Pedagógicas, tendo trabalhado em áreas relacionadas com problemas educacionais. Em 1965, abandonou Portugal para se fixar na Bélgica. Considerada uma autora cuja escrita é hermética e de difícil inteligibilidade para o leitor comum, é, no entanto, apontada por muitos como um dos nomes mais inovadores e importantes da ficção portuguesa contemporânea. Um dos traços mais marcantes de toda a sua produção consiste na constante negação da escrita representativa, com inserção no texto de diferentes caracteres tipográficos, espaços em branco, traços que dividem o texto, perguntas de retórica, aspectos que contribuem para a sensação de estranheza que os seus textos provocam. Levando às últimas consequências a criação de um universo pessoal que desde os anos 60 não tem paralelo na literatura portuguesa, a obra de Maria Gabriela Llansol faz estilhaçar as fronteiras entre o que designamos por ficção, diário, poesia, ensaio, memórias, etc. Fonte: http://www.wook.pt

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    Maria Gabriela Llansol