LÉVI-STRAUSS - Leituras brasileiras

    Ruben Caixeta de Queiroz, Renarde Freire Nobre

    Editora UFMG
    2013
    360 páginas
    12h 0m
    ISBN-13: 9788570419972
    Português Brasileiro

    Lévi-Strauss se contrapôs à explicação totêmica proposta por Malinowski ao afirmar, em O pensamento selvagem, “que os totens são melhores para pensar do que para comer”. Fazendo um paralelo, por certo desautorizado, seria possível dizer que o pensamento do etnólogo francês opera de maneira semelhante: é melhor para fazer pensar do que para digerir ou alimentar. Não por acaso, Lévi-Strauss foi eleito na França o principal intelectual em vida, e esta coletânea é outra prova cabal da mesma conclusão. Diferentes autores recuperam os trabalhos de Lévi-Strauss, ou apontam para novas oportunidades interpretativas, mas revelando, de maneira conjunta, o caráter seminal da obra e como ela continua viva, na medida em que produz novas teorias e modelos. Também não há nos ensaios a busca de uma unidade própria da obra de Lévi-Strauss, e não por acaso os antropólogos convidados para participar desta coletânea selecionam momentos diversos da trajetória e da produção do autor. Afinal, e como diz Deleuze, o melhor é apreender a obra “em seu conjunto”: a “antropologia” de Lévi-Strauss, no sentido mais estrito do termo. Mais do que uma teoria geral da reciprocidade, é com Lévi-Strauss que se inaugura um verdadeiro diálogo com o pensamento primitivo, uma ciência do observado. Objeto e sujeito da representação estão definitivamente em questão, na mesma medida em que a obra, tomada agora em seu conjunto, sempre anunciou um “novo humanismo” e um processo ilimitado de subjetivações, incomparáveis e, muitas vezes, incomunicáveis. No entanto, o que faz deste livro uma obra aberta são as várias possibilidades que os diferentes ensaios anunciam. Sem comporem um monólogo tedioso, o resultado é uma excelente orquestração, dada pelo conjunto ora harmonioso ora dissonante dos textos: nove antropólogos recuperam o pensamento de Lévi-Strauss a partir de janelas e portas próprias. O estruturalismo de Lévi-Strauss está muito longe de ver suas potencialidades analíticas esgotadas e continua, em espiral – e como os mitos –, a produzir uma enormidade de versões.

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