As Armas dos Rebeldes de Isher (Colecção FC de Bolso Europa-América #nº 224) - The Weapon Shops of Isher

    A. E. van Vogt, Alfred Elton Van Vogt

    [Mem Martins] Publicações Europa-América
    1996
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-13: 9789721042162
    Português

    "The Weapon Shops of Isher", No ano de 4784 o Universo era inteiramente dominado pelo Império de Isher, governado com poderes absolutos pela bela e jovem Imperatriz Innelda. Mergulhada em jogos e prazeres, a ditadura de Innelda levou Isher à beira de um desastre cósmico. Para evitar a destruição de bilhões de seres humanos espalhados pelas colônias existentes nos outros planetas e luas, surgiram aparentemente do nada cadeias de inquietantes e misteriosas lojas de armas, que traziam na fachada um estranho lema: “O direito de comprar armas é o direito de ser livre”. Essas lojas protegidas por uma enorme força energética, absolutamente intransponível, faziam parte de uma sociedade secreta, de oposição à ditadura, que vendia suas armas aos cidadãos ameaçados. ==== https://fclusa.wordpress.com/editoras/europa-america/livros-de-bolso-ficcao-cientifica-europa-america/ https://bibliowiki.com.pt/index.php/Livros_de_Bolso,_série_Ficção_Científica https://fceuropa-america.blogspot.com/?m=0

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    Sidney Danillo de Moraes Lopes19/03/2024Resenhou um livro
    1.5 (Ruim)

    THE WEAPON SHOPS OF ISHER

    "O direito de comprar armas é o direito de ser livre". Não, esse não é o slogan de algum grupo de extrema direita ou de extrema esquerda (ja ouviram a frase "O poder nasce da ponta do cano de um fuzil"?), esse é o lema das "Lojas de Armas", instituição criada para equalizar o poder totalitário do Império da Casa de Isher. Lançado no longínquo ano de 1951, As Casas de Armas (ou "The Weapon Shops of Isher" no original) é um Frankenstein, a união de três contos lançados por Alfred Elton Van Vogt nos anos 40 nas famosas e saudosas revistas pulp, a saber: "A Gangorra" de 1941; "A Loja de Armas" de 1942; e "As Lojas de Armas de Isher" de 1949. Assim como no outro livro de Van Vogt que li, "Em Busca do Futuro", enredos de diferentes contos foram unidos para compor uma história única e, novamente (e infelizmente!), o resultado foi uma história desajeitada, com fatos jogados de qualquer modo e construídos sem embasamento, a despeito das ótimas ideias contidas no texto. Isso me fascina no sci-fi: mesmo os livros ruins (como esse, uma pena ...) são recheados de ótimos conceitos e ideias mirabolantes. Do conto "A Gangorra" se origina a história de Chris McAllister, um repórter que vai parar a 7.000 anos futuro por conta de um misterioso evento. O mesmo vai parar em uma das Casas de Armas do título, uma instituição criada não para derrubar o Império da Casa de Isher (que julgavam ser necessário), mas impedir que o mesmo se torne totalitário, dando direito aos cidadãos de se defenderem, fornecendo armas (quase mágicas, aliás!) e uma espécie de sistema jurídico alternativo. Vale um adendo aqui: não creio que Van Vogt tenha pensado na posse de armas como pensamos nela hoje. Devemos lembrar que nos anos 40 estavam os regimes totalitários Nazista e Comunista, só para falar dos mais óbvios. Então, os tempos eram outros, a conjuntura mundial era outra. Não é impossível de se imaginar que a fantasia do autor era que o próprio povo poderia se levantar contra seus regimes. Na própria história do livro, um membro da "Liga dos Fabricantes de Armas" diz que regimes autoritários existem com a conivência do povo, que não faz nada para mudar as coisas. É uma reflexão bem interessante; Na outra narrativa, conhecemos Fara Clark, um morador de uma modesta vila que é cego pela adoração à Imperatriz Innelda Isher, mas que vê sua vida virar de ponta cabeça e perder tudo que possui graças à corrupção do sistema de governo. Sem saída, ele procura aqueles a quem mais odiou e combateu: As Lojas de Armas; Por fim, acompanhamos Cayle Clark, filho de Fara e que vai à Cidade Imperial com o sonho de abandonar a vida simples para ser um membro do exército da Imperatriz. No caminho, ele sofre diversos impropérios, frutos mais uma vez da corrupção daquela sociedade distópica. Tudo isso faz Cayle passar por um arco de mudança não muito bem desenvolvido e confuso, para dizer o mínimo. O que ele não sabe é que os Fabricantes de Armas mandaram em seu encalço a sedutora Lucy Hall, agente de uma das Casas de Armas pois, aparentemente, Cayle possui certos dons "calistênicos", como se diz no livro (que eu acredito ser fruto de má tradução), que são de interesse da Liga. A história de Cayle de longe é a mais bagunçada e mal construída. É dito na história que ele possui certos dons, mas não fica claro exatamente quais são. E para piorar as coisas, no final do livro aparece um segundo Cayle Clark do futuro, que já é um agente de confiança da Imperatriz. O autor não consegue deixar claro de onde veio isso, se os Fabricantes foram atrás da versão do passado de Cayle para ter um espião de confiança dentro do governo, pois isso não é explorado adequadamente. Nada aqui o é, aliás! Sobre McAllister, ele some do enredo, aparecendo muito esporadicamente e nada do que acontece com ele fica muito claro (nem tem muito destaque). É dito que seu corpo está carregado de imensa energia por conta da viagem no tempo e que os Fabricantes o usariam como uma "gangorra temporal", para fazer uma arma da Imperatriz também viajar no tempo e assim dar tempo para agirem contra ela. A cada "salto" temporal, o corpo do repórter fica com cada vez mais energia e a Liga não sabe o que fazer com ele, pois em qualquer lugar em que jogassem-no aconteceria algum tipo de hecatombe. No fim, o autor diz que ele foi jogado no início dos tempos e contribuiu para o próprio Big Bang: "Êle (tinha acento na época) não seria testemunha do nascimento dos planetas. Mas contribuiria para a sua gênese". (PAG 203). Isso até seria algo interessante, se houvesse alguma construção meramente descente levando a esse desfecho. Como podem ver, o livro é cheio de contextos interessantes, mas sua construção é muito mal feita. E a tradução não ajudou, chegando ao cúmulo de ter umas 2 ou 3 frases que sequer fazem sentido no livro. Nem valeria a pena comentar, mas por mero exercício de memória, vou deixar aqui registrado: há um tal de Mr. Hedrock na história e é dito que ele é o único imortal na Terra (ou do universo, agora não lembro) e... ele não faz absolutamente diferença nenhuma na narrativa, apesar do destaque que Van Vogt dà a ele. Aparentemente, em outro livro da série de Isher, ele deve ter sido importante, mas não neste livro. Pois é: eu me esforço, mas não vai ser tão fácil gostar dos livros desse autor. E o pior é que eu tenho mais alguns aqui na estante. Vão pegar poeira, pobrezinhos... TS: Socrates Drank the Conium - On the Wings (1973); Beckett - Beckett (1974)

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