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    Psicanálise da sexualidade feminina -

    Juliet Mitchell

    Campus
    1988
    90 páginas
    3h 0m
    ISBN-10: 8570015232
    Português Brasileiro
    3
    3 avaliações
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    Psicanálise e feminismo geralmente não se misturam e, quando se aproximam, é quase sempre para brigar. Este livro da psicanalista e feminista Juliet Mitchell foge a esse padrão, pois estuda a questão da identidade feminina, os problemas relativos ao desenvolvimento da criança e a formação da subjetividade a partir da articulação do que há de mais importante no pensamento feminista com o que há de mais sofisticado e atual no campo da psicanálise. Juliet Mitchell, que trabalha em Londres e é uma das mais destacadas pensadoras do movimento feminista, derruba neste livro uma série de fronteiras convencionais entre diferentes tipos de conhecimento que, frequentemente, limitam a própria criatividade do conhecimento científico. Em artigos que são interessantes para profissionais e para o público geral, Juliet Mitchell aproxima não só psicanálise e feminismo, mas também psicanálise, ciências sociais e literatura e, o que é particularmente importante, as psicanálises inglesa e francesa.

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    Dands Gomes picture
    Dands Gomes22/10/2025Resenhou um livro

    Psicanálise e carne viva: o que há de mulher em nós

    Peguei esse livro na biblioteca da facul. Queria algo introdutório, mas não raso demais sobre psicanálise, e esse caiu como uma luva. Vou ser sincera, amores: num primeiro momento, achei que a autora só queria um livro para militâncias, desses que forçam o discurso. Mas depois do primeiro capítulo percebi que as pautas que ela traz são muito bem fundamentadas. Gostei muito da forma como ela trabalha com os textos originais de Freud e também com autores relacionados, como Lacan e Melanie Klein. É o tipo de autora que mostra a teoria e a prova ao mesmo tempo, com segurança e clareza. Ela não tem medo de citar e reinterpretar, o que dá ao livro uma força teórica e o afasta de leituras superficiais. Mas, sendo honesta, se você não sabe nada de psicanálise, não recomendo começar por esse. Apesar de a autora explicar alguns conceitos de forma acessível, é importante ter uma base mínima. Não basta apenas saber quem são Freud e Lacan; é essencial conhecer noções como inconsciente, pulsão, complexo de Édipo e o conceito de falta. Esses pontos tornam a leitura mais profunda. Foi um livro que ampliou o que eu já sabia e me trouxe vários ensinamentos valiosos. O capítulo sobre o desenvolvimento da criança me emocionou. Além de ser bem construído, ele toca uma fase muito sensível da vida humana, a infância. A autora descreve, com delicadeza e rigor, como o desejo e a identidade começam a se formar antes mesmo da fala. Isso dialoga diretamente com as ideias de Freud em Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905) e com o conceito lacaniano de “estádio do espelho”, em que a criança reconhece a própria imagem e começa a construir o eu. Senti, porém, que o final poderia ter sido mais bem fechado. A autora inicia um raciocínio interessante, mas parece encerrar de forma apressada, como se o livro terminasse antes de concluir a ideia. Faltou um fechamento mais firme para amarrar as reflexões sobre o feminino e a falta, temas centrais da psicanálise e da própria experiência humana. Mesmo assim, recomendo a leitura. Antes de mergulhar nela, vale a pena dar uma revisada nos conceitos básicos de Freud e Lacan, porque isso torna tudo mais claro e proveitoso. O que mais me marcou foi compreender como somos seres mutáveis e, de certo modo, inexplicáveis, principalmente nós, mulheres. Dividimo-nos em milhares de fragmentos, e não há erro nisso. Estamos sempre buscando uma completude que talvez nunca exista. É justamente a falta, como diria Lacan, que nos torna tão humanos.

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    Juliet Mitchell

    Juliet Mitchell é uma psicanalista e feminista socialista britânica nascida em 4 de outubro de 1940.

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    Juliet Mitchell