A espera foi angustiante, mas acabou. Maze Runner: Prova de Fogo (V&R Editora) está aqui. Um dos principais expoentes da literatura infanto-juvenil survivor, James Dashner enfrentava uma tarefa quase tão árdua quanto escapar do Labirinto: escrever um livro tão bom quanto Correr ou Morrer. Para isso, apostou num novo Experimento.
O Labirinto terminou. O perigo, longe disso. Nessa nova etapa dos planos do CRUEL, Thomas e os Clareanos precisam cruzar o Deserto. Calor, frio, tempestades, fome e sede. Como se não bastasse tudo isso, os garotos ainda terão de lidar com um enxame de Cranks, humanos lunáticos, transformados em bestas selvagens por uma doença voraz. E, é claro, não podemos nos esquecer do Grupo B...
Prova de Fogo segue a fórmula de Correr ou Morrer. E isso é ótimo. O suspense continua poderoso, as reviravoltas constantes. A violência? Ainda maior. Tudo isso já seria o bastante para garantir o sucesso do livro, mas o autor fez questão de evoluir e trabalhar um pouco mais com emoções e sentimentos. Algumas situações ficaram forçadas, outras constatações um tanto repetitivas, mas é positivo ver um autor consagrado se mobilizar a sair de sua zona de conforto.
Tão instigante quanto o livro um, é triste que o segundo volume tenha sido lançado com uma série de problemas de revisão. São erros de digitação, palavras trocadas, espaços duplos, itálicos faltando e até frases sem nenhum sentido. Equívocos tolos, tão fáceis de serem notados que não sei como não foram corrigidos. Talvez tenha sido a pressa de lançar a obra antes da Bienal 2011. Quem sabe essa pressa também tenha prejudicado a tradução do livro. O mesmo tradutor que bolou nomes tão divertidos quanto trolho e tão inquietantes quanto verdugo preferiu não arriscar dessa vez. Deprimia-me cada vez que lia a palavra Crank além de bobo, o fictício termo estrangeiro não instiga qualquer associação ou imaginação em nossos cérebros brasileiros. Além disso, por que trocaram o nome da doença Fulgor por Fúria? Outra bola fora.
Apesar desses danos externos, a série continua arrebatadora. James Dashner usa e abusa de seus ganchos e capítulos curtos, tornando o ato de fechar o livro uma tortura. James Dashner, você é cruel.
Mas tudo bem.
Cruel é bom.
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