Machado de Assis: gênio, porém humano.
Machado de Assis fora um homem genial, e continua sendo um dos mais eminentes escritores brasileiros -senão, o mais exímio -, porém, infelizmente, isso não quer dizer que tudo o que ele escreve, é bom. Estava ansioso para ler este livro de contos, porque quero me aproximar mais da nossa literatura nacional, e qual ponto de partida seria melhor do que Machado de Assis? Confesso que, o primeiro conto que tem menos de cinco páginas frente e verso, demorou um dia todo para eu conseguir lê-lo, porque era maçante e, para mim, não tinha nem pé nem cabeça, era apenas um diálogo prosaico entre pai e filho que dava voltas e mais voltas e no final não dizia muita coisa, contudo, eu queria terminar, e é aqui que eu vos digo: só leia este livro se você quiser, assim como eu, aproximar-se mais da nossa literatura, ou, em um caso mais distinto, porque você é um grande amante de Machado de Assis. Se você pegar o livro sem isso em mente, garanto que não o terminará, pois, assim como tem contos bons, tem contos péssimos (péssimos mesmo), e recomendo-lhe algo como Dom Casmurro. Você, ao ler o livro e, principalmente, se for uma adolescente ou alguém que não conhece palavreados distintos, também deve ter isso em mente: a cada página -ou, dependendo da pessoa, a cada conto -haverá pelo menos uma palavra da qual você não saberá o significado, conseguinte, terá que parar a leitura e ir rapidinho até o dicionário, o que, dependendo do conto que está lendo -se é um daqueles mais fluidos ou dos mais maçantes -irá cortar totalmente o fluxo da leitura. Entretanto, você adicionará pelo menos uma dezena de novas palavras no seu léxico pessoal. Os contos sempre tratam de coisas como política, religião, amor, crime passional etc, etc. E muitas vezes são bem crus. É como se o escritor achasse que o fato de dois homens dialogarem sobre seus pontos de vistas na política e nada mais, fosse algo interessante de se ler. Bem, há gostos para tudo, eu, por exemplo, não tenho interesse em algo tão elementar. Os melhores contos, em minha opinião, foram os seguintes: O Espelho (segundo conto que retrata a alma exterior de cada ser humano); Verba Testamentária (é o sétimo conto e retrata um homem que fora violento por toda a sua vida e, quando estava a ponto de dar seu último suspiro, fez algo de bom); O Alienista (nono conto sobre um médico que quer encontrar a cura para a loucura); O Enfermeiro (décimo primeiro conto sobre um homem que se responsabiliza pelos tratos de outrem moribundo e de personalidade repugnante); A Igreja do Diabo (décimo terceiro conto e meu preferido, é um apólogo); A Cartomante (Décimo quinto conto sobre crendices); A Causa Secreta (décimo sexto conto que retrata um triângulo amoroso trágico); e Pai Contra Mãe (vigésimo terceiro conto que tem como princípio o racismo).




