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    A Cidade e as Serras -

    Eça de Queiroz

    L&PM
    2012
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788525409676
    Português
    3.4
    91 avaliações
    Leram250Lendo3Querem50Relendo0Abandonos8Resenhas1
    Favoritos6Desejados50Avaliaram91

    Este livro, publicado um ano após a morte de Eça de Queiroz, mostra um escritor menos cáustico e nem tão ácido em relação a sociedade burguesa do seu tempo. Mas se é menos agressivo e contundente, segue sendo divertido, irônico, abordando um tema original e manejando a sátira com elegância, palavra que alcança com precisão toda a prosa de Eça de Queiroz. A cidade e as serras é basicamente uma sátira ao culto da tecnologia. Revela um personagem que tornou-se célebre em sua obra, Jacinto de Tormes, o dândi espirituoso, português residente em Paris, homem inteiramente em dia com todos os avanços tecnológicos. Do outro lado, Zé Fernandes, um crítico das grandes cidades, do progresso, e denunciador de seus malefícios. Eça de Queiroz foi um dos maiores escritores de língua portuguesa em todos os tempos. Seu estilo elegante, sarcástico e irônico causou controvérsias e ataques na sua época. Entre outros romances, escreveu O crime do Padre Amaro (1875), O primo Basílio (1878), Os Maias (1888), A ilustre casa de Ramires (1900), A correspondência de Fradique Mendes (1900).

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    Resenhas (1)Ver mais
    Karen Macedo picture
    Karen Macedo09/08/2025Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Esse livro, dos 3 que li do Eça de Queiroz (este, A Relíquia e A ilustre casa de Ramires), foi o que achei mais fraco. Mas sei que isso acontece muito por minha culpa. Explico. Assim como A ilustre casa de Ramires, A cidade e as Serras pertence a última fase da escrita do Eça de Queiroz. Nessa fase ele já não era mais tão crítico a sociedade portuguesa, há quem diga que isso aconteceu porque se casou e o coração do homem amoleceu. Para olhos mais desatentos, pode até achar que ele fez as pazes com Portugal nesse livro. Eu discordo! Aqui temos um crítico perspicaz sobre o avanço tecnológico nas cidades e como isso esatava causando mais mal do que bem as pessoas. Curioso, não?! Mais de 100 anos e o ser humano continua sofrendo as consequências maléficas das suas proprias criações. No entato, me parece que, apesar de ele usar Paris como exemplo de cidade grande, em vez de Lisboa, e usar Tormes (cidadezinha em Portugal) para representar as serras, não é por se reconciliar com Portugal, mas sim pra explicar que em qualquer lugar do mundo, até na mais bela das grandes cidades, há problemas. O ponto que me faz pensar que a culpa é minha por não ter achado esse livro tão bom é a minha falta de referência. Eça neste livro traz inúmeras referências, são tantas que muitas eu consegui pegar, outras tenho certeza que me deixei passar. Por isso, às vezes da impressão de estar lendo coisas "sem sentido" quando na verdade tem, sim, muito sentido, mas eu não fui capaz de compreender. Parece que aquelas descrições longas, típicas do Eça são só "encheção de linguiça", mas há muita ironia ali, o que torna o texto uma delícia quando eu consegui entender. O ponto alto do livro, para mim, é justamente esse. Com uma escrita leve (para os padrões dele) e aparentemente despretenciosa, nessa fase da vida a escrita dele beira a perfeição. O domínio sobre a língua portuguesa é um show a parte, mas isso também acaba complicando um pouquinho. Não tanto quanto em A ilustre casa de Ramires, mas ainda assim haverá palavras que desconhecemos e elas querem dizer exatamente o que Eça quer nos dizer. Os trocadilhos também são maravilhosos. Em fim, é uma obra atemporal, na verdade seria até contemporânea se não fosse a descrição das tecnologias e costumes da época. Encontramos tudo que nos é semelhante nos dias de hoje nas grandes cidades: tecnologia exagerada, pseudointelectuais, banalização do corpo da mulher, tédio como ponto central da vida de muita gente, sujeira e criminalidade. Também há belezas, mas a questão é: vale a pena?

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    3.4 / 91
    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas23%
    • 3 estrelas34%
    • 2 estrelas15%
    • 1 estrelas3%
    José Maria de Eça de Queiroz profile picture

    José Maria de Eça de Queiroz

    José Maria de Eça de Queiroz nasceu em Póvoa do Varzim, norte de Portugal, de pais que não eram casados – só o fariam quatro anos depois. Essa situação, escandalosa para a época, talvez tenha contribuído para a visão profundamente crítica à moral da classe média portuguesa que o escritor imprimiu à sua obra. Eça ingressou aos 16 anos na Universidade de Coimbra, de onde saiu formado em Direito. Nesse período reuniu-se a outros jovens literatos, como Antero de Quental, que formaram o grupo conhecido como a Geração 70. Mudou-se para Lisboa, seguindo uma carreira de jornalista que continuaria em Évora e em sua volta para a capital. Em folhetins e na poesia, havia até então sido um adepto do Romantismo. Contudo, na volta a Lisboa, tomou parte no grupo de intelectuais conhecido como <i>O Cenáculo</i>. Sob a influência do escritor Gustave Flaubert e do teórico anarquista Pierre-Joseph Proudhon, aderiu ao Realismo. Em 1870, publicou, em parceria com Ramalho Ortigão, o romance <i>O mistério da estrada de Sintra</i>. No mesmo ano ingressou na carreira diplomática e, dois anos depois, assumiu o posto de cônsul em Havana – seguida por cidades europeias. Em 1895, sob a influência do Naturalismo, publicou o romance <i>O crime do padre Amaro</i>, que provocou protestos da Igreja e de setores da sociedade. Três anos depois, <i>O primo Basílio</i> teve recepção semelhante, apesar do sucesso de vendas. Em 1888 saiu <i>Os Maias</i>, romance considerado sua obra-prima. Parte da extensa obra do escritor, como o romance <i>A cidade e as serras</i>, veio à luz postumamente. Eça, que deixou quatro filhos, morreu em Paris, de tuberculose.

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    José Maria de Eça de Queiroz