“A mulher que passa”, “o caso da TV”, “uma história
contada por alguém desconhecido no ponto de ônibus”, são
matéria prima para a autora, que é a observadora do
comportamento humano, e capta em cada situação que emerge à
sua frente de maneira realista, e é assim que ela escreve:
realisticamente!
Cada conto e cada poesia são como um recorte feito para
ser mostrado em um álbum estranho e reflexivo, feito uma
colcha de retalhos. Por isso não poderia ter outro nome, pois
além das situações corriqueiras temos a intertextualidade da
autora, que traz para o seio de sua obra uma conversa pitoresca
com autores já consagrados como ocorre em seu conto Pudim de
cachaça, que leva o nome de uma personagem de Erico
Veríssimo, seu autor preferido e do qual ela leu toda a obra e
acompanha todas as críticas e estudos disponíveis. Como
sabemos, citar ou utilizar-se de partes da obra de um autor hoje
em dia se torna um elogio a este, afinal, eles são nossa
inspiração e a cada menção vivem mais, vivem para sempre.
É simples assim, a autora vai além das palavras e da
realidade, apenas mostrando-a da maneira que é: sangrenta,
apaixonada, violenta, vingativa, triste... Como em Infância
Perdida, por exemplo, e ainda utiliza-se da própria forma do
texto, como em o Homem Gelado, que trata da frieza da alma do
homem comum de nossa sociedade.
Saibam que é uma leitura prazerosa e perigosa, pois ela
pode lhe fazer pensar. Cabe a você decidir qual caminho tomar,
porém eu recomendo o da porta da caverna, ou, se preferirem, o
da pílula vermelha. Leia e pense, é seu direito.