Toda vez que volto ao universo tresloucado e surpreendentemente parecido com o mundo real de Kick-Ass, saio com um baita sorriso no rosto. Esse prelúdio para Kick-Ass 2 traz tudo o que amamos no primeiro, mas começa a dar indícios das denúncias que viria a fazer aos pensamentos de seus protagonistas. Mark Millar não é nada ingênuo e sabe o público que tem, então entrega tanto a violência desenfreada que os cabeças de vento tanto amam quanto os diálogos que revelam o quão reacionários são aqueles que chamamos de mocinhos.
Focado na Hit-Girl, esse arco é ágil e direto, como uma facada na cara dada por essa mini-assassina ABSURDAMENTE letal. É fascinante como o roteiro e a arte se dão bem, Millar e Romita Jr são daquelas equipes criativas que SEMPRE vão dar certo. Aqui vemos Hit-Girl cada vez mais sanguinária, mas tendo que lidar com a futilidade da pré-adolescência e a tentativa de criação de consciência sobre as violências que sofreu durante sua infância, à qual ela ainda se apega muito. Marcus é um dos melhores personagens desse volume, devo acrescentar, pois é o único com uma leitura clara e consciente do absurdo que é a existência de uma Hit-Girl.
Temos um pouco de Kick-Ass e Red Mist sendo trabalhados também, mas só o suficiente para lembrarmos o quão patéticos são.
As mortes são memoráveis, a ação é divertidíssima, os diálogos são inteligentes e o final empolga para lermos o próximo volume - mesmo aqueles que já o leram, como eu.
Um espetacular prelúdio que deve ser conferido pelos leitores e um lembrete de que sempre vão haver histórias interessantes nesse universo.