Hey pessoal, tudo bem?
Este livro me foi enviado em parceria com a editora Rocco e, mesmo fugindo ao estilo literário abordado aqui no Vida de Leitor, qual seja, o de literatura fantástica, decidi tirar um tempo para ler e ver se André de Leones conseguiria me conquistar. Eis então que aparece o primeiro sentimento divergente, pois, ao passo que ele conseguiu construir personagens detalhadamente profundos e palpáveis, o enredo no qual são inseridos afasta um pouco o leitor da obra em si. Afinal, morte, finitude e perda são os maiores medos do ser humano.
O livro é dividido em várias partes, sendo que cada uma conta a história de um personagem ou dos personagens das partes anteriores no momento que estão interagindo com outros ou em diferentes passagens de tempo, como quando uma parte conta a história de Arthur em 2009 e outra mostra ele como criança conversando com sua mãe. Não vou falar de cada um dos personagens, mas os mais importantes são Arthur e sua esposa Teresa, e Aureliano - primo de Arthur - e sua esposa Camila. Terra de Casas Vazias é um livro que explora a morte e a perda, tendo Teresa perdido o filho e vivendo em um luto eterno e Aureliano vendo a esposa sofrer de uma degeneração muscular sem poder fazer nada para ajudá-la, ou seja, é um livro mórbido e que, por mais que tente passar uma lição de "superação", acabará afastando grande parte do público, já que temos nosso próprios problemas a superar e não precisamos testemunhar o sofrimento e definhação de outra pessoa.
Definitivamente não gostei do livro. Por mais que a intenção do autor tenha sido mostrar que o ser humano é finito e que temos que aprender a viver com a perda, não acho que esta seja uma obra que possa inspirar uma superação. É apenas mais uma obra que mostrar onde fica o fundo do poço de cada ser humano quando os mesmos tem que lidar com o luto ou com a impossibilidade de voltar no tempo e isso, a meu ver, não é algo que possa entreter e se destinar a um público jovem, mas sim, a quem tenha um gosto um pouco sombrio para literatura.
Os personagens são MUITO bem construídos e conseguem passar emoção ao leitor, mas como disse, a história na qual eles são inseridos não faz com que você tenha aquela "sede" de saber o que vai acontecer. O autor conseguiu mostrar o quão poderoso pode ser o amor de uma mãe através da dor e sofrimento de Teresa. Sério pessoal, chega a dar agonia ver essa mulher sofrendo, dopada e encolhida nos cantos. Ele também conseguiu mostrar a imperfeição do ser humano através dos erros cometidos por seus personagens, erros esses que muitos de nós cometemos todos os dias pelo simples fato de sermos seres humanos. A exemplo temos o rencontro de Arthur com Rita - ex-esposa - e o fato dele começar a ter "pensamentos " sobre ela sendo que acabou de perder o filho.
Não encontrei erros de revisão e devo dizer que no que tange ao vocabulário o autor está de parabéns. Não só pelo fato de enriquecer o meu a cada palavra desconhecida que lia e olhava o significado, como também pelas partes em que ele usava de metáforas poéticas para tentar descrever um sentimento. A única coisa que não pode agradar a todos é que ele não tem pudor no que tange ao uso de xingamentos comuns de nosso dia a dia como "vai tomar no #$" ou "vai à mer@$", se é que me entendem. A diagramação do livro é simples e como já foi dito, ele é dividido em partes.
Estava pesquisando um pouco sobre a obra para ver de onde surgiu o autor e me deparei com uma informação muito interessante - no blog Aceita Um Leite? - sobre a capa do livro. A imagem usada é uma xilogravura de Wylma Martins - 1958 - intitulada Casas Nº 1. Ela é meio sem graça para quem está acostumado com as capas dos livros fantásticos banhados em cores e desenhos extravagantes mas, se parar para analisar um pouco a arte de Terra de Casas Vazias, conseguirá ver a beleza na simplicidade.