Lido entre 26 e 28/04/2022. Avaliação da leitura: 3,5/5,0
Histórias de Paris é o quinto livro de Mario Benedetti (1920-2009) que tenho em mãos. Para três deles dei cinco estrelas, lidos que foram nessa ordem: A Trégua (Alfaguara, 2007), Correio do Tempo (Alfaguara, 2008) e A Borra do Café (Alfagura, 2012). Para Primavera Num Espelho Partido (Objetiva, 2009) foram quatro estrelas: essa obra me bateu com menos intensidade do que os outros livros dele, mas foi uma leitura muito interessante também.
Então, de um modo geral, apreciei bastante os romances e contos desse uruguaio que passou vários anos no exílio, principalmente na Argentina, Peru, Cuba e Espanha, nunca em Paris, curiosamente, já que o presente volume traz quatro histórias passadas na capital francesa. Não são narrativas especialmente escritas sob o título de Histórias de Paris, pois já haviam sido editadas antes, em outros livros de Benedetti. Todas elas tratam de relacionamentos entre homens e mulheres exilados vivendo situações diversas em Paris.
Geografias (primeiro conto) e Só Por Distração (último) fazem parte do volume Geografias (1984); Cinco Anos de Vida (segundo conto) e O Hotelzinho da Rue Blomet (terceiro) saíram no livro Com e Sem Nostalgia (1977). Justamente Cinco Anos de Vida, por tratar de uma situação inusitada, dois passageiros do metrô, Raúl e Mirta, que se atrasam e ficam retidos nos subterrâneos de uma estação, onde têm de passar a noite ali sozinhos, me pareceu o melhor conto dos quatro.
Histórias de Paris é um volume bastante fino (64 páginas apenas) muito bonito fisicamente, impresso que foi em papel especial, cartonado, contendo belas ilustrações coloridas (a começar pela própria capa) de Antonio Seguí, artista argentino que viveu e trabalhou em Paris. As orelhas trazem um texto de Eric Nepomuceno que não é exatamente uma apresentação do livro, mas sim, o elogio de Benedetti, de quem ele foi amigo e grande admirador.