No início estava achando a leitura um pouco parada e cansativa, para mim o pessoal só tomava suco, mas logo toda a informação cultural me encantou e me vi ansiando as aulas do personagem Daniel.
A trama inicia com a chegada dos viajantes em Manaus, somos apresentados a quatro moças Ana Carolina, Joana, Camila e Rafaela, e Daniel que é tio de Joana. Já de cara conhecemos a origem do nome da cidade e outras histórias importantes a respeito dos índios que habitam aquele território, as batalhas disputadas, e a chegada dos colonizadores.
Ao mesmo tempo que somos agraciados com essa aula de história também vamos conhecendo os personagens, Camila mostra suas principais características na primeira página, uma garota que ama dormir e brinca o tempo todo tirando de todos boas risadas; Rafaela é mais tímida fica apenas observando e tirando suas dúvidas com um pouco mais de receio; Ana Carolina – admito a personagem que nutria expectativas com suas falas – essa sempre muito inteligente deixava claro os seus pontos de vista com muita sabedoria; e Joana foi a que menos notei, mas vi que também era uma boa ouvinte e uma boa conhecedora de histórias graças ao tio.
Fiz uma viagem literalmente pela Amazônia e a cada nova cidade que eles iam eu ficava super curiosa, minha vontade era estar junto do grupo para poder ver o que era narrado como os museus, os salões, os chãos de borracha para abafar o som e muitas outras coisas. Fordlândia me deixou extasiada, nunca havia ouvido falar da cidade e é surpreendente saber que tem uma com estrutura de cidade americana no Brasil, ao mesmo tempo que é chocante ver que o tal do Ford só pensava em si ao transformar o nosso país que já tinha os seus habitantes e que já possuíam a sua própria cultura.
Todo o livro é uma aula, e eu que gosto de história fiquei muito contente em conhecer um pouco mais da Amazônia, já que assim como as viajantes da história, também imaginava um lugar onde só encontraria mato. A trama criada por Marli é singela, não encontrei erros e a cada frase lida sentia que as palavras eram direcionadas para mim, afinal não é apenas uma aula de história, mas uma aula de humanidade. Destaca-se o valor da amizade, o quão é importante pensar no próximo e aprender com o mesmo, e o principal, não deixar os sonhos morrerem para não sermos dominados pelo medo, até me lembrei do vilão do filme “A Origem dos Guardiões”, o Sombra.
Além de tudo isso, fiquei fascinada com as lendas, eu amo lendas, algumas conhecidas outras que fiquei morrendo de vontade de saber mais como a lenda do amuleto Muiraquitã, achei tão interessante que até queria um para mim.
Também há um romance que desabrocha com essa viagem entre Rafaela e Daniel, e eu que sempre gostei de romances não me vi tão apegada ao casal, ficava mais interessada nas curiosidades dos lugares por onde passavam e nas falas de Ana Carolina que me renderam boas anotações, a sábia me fez pensar bastante e assim como eles foram transformados na viagem, me vi transformada após terminar o livro.
O livro é pequeno e apesar das folhas serem brancas não tive problemas para ler a noite, as letras são do tamanho ideal e a diagramação simples. Recomendo para os viajantes; para quem ama um romance; e para os amantes de história, garanto que é um prato cheio.