A espécie humana - Um relato clássico sobre a vida nos campos de concentração

    Robert Antelme

    Record
    2013
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-13: 9788501089106
    Português Brasileiro

    Um dos relatos clássicos e mais emocionantes sobre os horrores dos campos de concentração nazistas. Robert Antelme, poeta e jornalista, tinha 26 anos quando, em 1943, entrou para uma unidade da Resistência Francesa em Paris, liderada por François Mitterand. Um ano depois, foi preso pela Gestapo e deportado para a Alemanha, onde trabalhou em Gandersheim até a primavera de 1945, quando foi levado para Dachau, até, já perto do fim da guerra, ser resgatado. Antelme percebeu a importância de realizar o impossível: transmitir, pela escrita, a experiência mais extrema, tão desumana que nega a humanidade de suas vítimas. Com uma linguagem que busca representar o irrepresentável, oscilando entre o relato objetivo, meticuloso, e descrições poéticas, Antelme explica o funcionamento e os horrores dos campos de concentração.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (3)Ver mais
    Jéssica Marques picture
    Jéssica Marques03/12/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Nós e os outros

    A narrativa-testemunho de Antelme abarca cruamente o tempo em que esteve encarcerado em campos de trabalhos forçados na Alemanha nazista, primeiro em Buchenwald, seguido de Gandersheim e, por fim, a longa caminhada até Dachau. Como relato histórico, a obra é eficaz em evidenciar a configuração dos campos, suas bases hierarquizadas, o abuso de poder, a extrema violência e precarização, e o próprio cotidiano dos detentos. Um ponto que a priori nos chama a atenção é o tratamento tirânico dos SS para com os prisioneiros, fruto de uma forte propaganda baseada em “Alemanha acima de tudo!”. A política de opressão é manejada, ademais, por presos comuns alemães, que assumem um sub cargo que lhes outorga o direito de desfrutar de pequenos benefícios em troca de oprimir ainda mais seus companheiros. O marco divisório da língua assume papel imprescindível nesse quesito, dando protagonismo aos que dominam o idioma alemão. Dessa forma, o autor exemplifica que quanto mais distante da cultura e do que é ser alemão, o indivíduo se mostra mais inferior, e, nesse contexto, também menos humano. A ausência das câmaras de gás dá lugar a miséria, aos piolhos, a fome incessante, ao cansaço, as doenças e a uma morte intermitentemente lenta. É a partir dessa problemática em especial que Antelme tece a narrativa do trauma, uma necessidade que culmina em seu próprio renascer e retorno à sociedade, um religamento, como afirma Márcio Seligmann-Silva. Em “A espécie humana”, a divisão dos sujeitos, a deformação de seus corpos e mesmo a sua total sujeição não refletem na separação da espécie, pois, como ressalta o próprio autor, “o carrasco pode matar um homem, mas não pode transformá-lo em outra coisa” (p. 252).

    7 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 35
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas26%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas3%