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    Tenente Pacífico - Um romance na Revolução de 32

    Waldo Cesar

    Record
    2002
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-10: 250106355X
    Português Brasileiro
    2.5
    1 avaliação
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    "No ano da insurreição, decorrendo o mês de julho de 1932, mais uma vez o reverendo Samuel postou-se como um atento vigia na estação da estrada de ferro. Naqueles dias assim transcorria sua nova rotina, desde quando trens especiais, provenientes da capital, passaram a despejar enxurradas de soldados na pequena praça de acesso à cidade de Resende. Da plataforma - paredes manchadas pelo tempo, tufos rasteiros de capim brotando nas brechas do cimento - podia entrever a abrupta colina onde morava, a casa colonial toda branca, largas janelas azuis. Lá do alto, a pequena cidade quase se mostrava por inteiro." Em TENENTE PACÍFICO, o consagrado escritor Waldo César cria uma narrativa, às vezes em primeira pessoa, que se desenrola durante a Revolução Constitucionalista de São Paulo, ocorrida em julho de 1932. O livro tem por fio condutor a memória de uma pacífica família protestante, que subitamente se vê envolvida num conflito nacional de largas proporções. Isto acontece a partir da presença do tenente Pacífico, que chega a Resende, quartel-general das forças governamentais, com o intuito de pedir apoio e orações do reverendo Samuel para sua missão. "A família existiu - e ainda existe. E foi real o encontro entre o soldado e o reverendo, com implicações que percorrem todo o romance," explica Waldo. O livro explora o conflito interno do personagem Pacífico. Ele deve combater e matar paulistas revoltados contra a ditadura Vargas, mas sua consciência de crente necessita descobrir como situar-se entre a submissão ao comando militar e a desobediência civil. Entre a vida e a morte, o bem e o mal. Sua luta pessoal reflete-se na família do pastor, também dividida entre as reivindicações paulistas e a reação governamental. Tudo isso intercalado com reações e diálogos plausíveis, desde as lembranças do próprio autor na figura do menino inventor Pedro até a Cidade dos Homens Pequenos, criada por ele, e que se transforma num simulacro do campo de batalha. A representação lúdica da guerra, em TENENTE PACÍFICO, passa a ocupar não só um espaço físico, mas penetra na alma dos personagens reais, perplexos com os acontecimentos - e se estende a todas as guerras do mundo, passadas e presentes, ao debate infindável entre o bem e o mal. E o papel de um Deus que parece escondido ou indiferente à sorte de suas criaturas, muito mais amparadas pelas miniaturas de Pedro. "Mesmo quando predomina a dimensão ficcional," explica o autor, "a todo o momento o real invade a narrativa. Seja com os políticos da época - Getúlio, Góes Monteiro, Berthold Klinger, Oswaldo Aranha, Euclides da Cunha - ou os membros da família e amigos, também feridos pelas mesmas dúvidas." O projeto de TENENTE PACÍFICO vem de longe. Tendo nascido em Resende, e voltado à cidade com freqüência, as memórias de infância de Waldo César ressurgiram com força. Aliando suas lembranças a outros documentos - livros, entrevistas e jornais da época -, Waldo intercala ora o registro histórico, ora a invenção verossímil. Um bom exemplo é o encontro de Oswaldo Aranha e oficiais paulistas, numa última tentativa de solucionar pacificamente o conflito. O encontro de fato ocorreu, mas o diálogo entre eles é fruto da imaginação do autor, embora permeada com declarações do chanceler em outras ocasiões e de comentários sobre eventos sociais e culturais do momento. "A História é um tremendo desafio hermenêutico, não faltam interpretações e até mesmo ficção," finaliza. Waldo César nasceu em Resende e é jornalista e sociólogo. Tem traduções, resenhas, artigos e livros publicados no Brasil e no exterior. Seu último livro, Pentecostalismo e futuro das Igrejas Cristãs, publicado simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos, em 1999, resultou de uma pesquisa interdisciplinar, realizada no Rio de Janeiro, com o teólogo americano Richard Shaull. Publicou, ainda, um livro de contos chamado Tudo tem o seu tempo.

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