Sentar-me diante do computador nessa manhã fria para escrever a resenha do livro O Sonho de uma filha é quase como fazer um parto, é complicado me afastar dessa família que tanto me deu prazer em conhecer. É como perder uma avó, uma mãe, uma irmã, uma filha, todos de uma vez só. Confesso que escrever essa resenha está sendo uma tarefa muito dolorosa para mim.
Quando me aventurei na leitura de A Esperança de uma mãe não estava preparada para ser sugada para uma época tão cheia de descobertas, foi como fazer parte da família. Marta transmite uma força incomum de amor, perdão, amizade, mas acima de tudo de amor a Deus. E é por aí que toda a trama se desenvolve, com a base forte e sólida do amor ao próximo.
Marta continua sua longa trajetória na busca de conquistar o amor de sua filha Hildemara, mas isso parece uma tarefa muito difícil, porque Marta na sua tentativa de criar uma mulher forte, na verdade moldou uma mulher dura, incapaz de se abrir e externar seus sentimentos.
A história se inicia do ponto exato no qual o livro anterior parou, e apesar de toda a carga de experiências vividas pelos personagens, os muros existentes entre eles são ainda maiores agora. Para eles é quase uma tortura deixar o coração falar quando já se sofreu tanto. Cabe agora ao amor e a paciência agirem para que se criem pontes.
Acho que deu para notar como está sendo difícil escrever essa resenha, não quero contar nada para não fazer com que futuros leitores percam o interesse, mas é complicado não falar.
Quatro épocas tão distintas narradas numa série repleta de encontros e desencontros, lutas e perseveranças, dores e alegrias. Não tem como não ver Marta como uma mãe querida e ao mesmo tempo tentar entender os sentimentos de abandono sentidos por Hildie. Perceber toda a tristeza de Carolyn, seu desespero por se sentir inútil. Amar e sentir a decepção de Dawn diante do cabo de guerra que foi sua vida.
E como não notar o grande amor pela pátria existente em toda a saga? Todos os homens da trama se sentem impulsionados para servir sua pátria, fazendo com que suas mulheres sofram as dores que milhares de esposas, filhas e irmãs sentiram ao terem os seus servindo o país.
Quatro gerações de mulheres que só desejavam o melhor para os filhos, queriam que eles fossem vencedores, independentes e fortes. Acho que esse é o desejo de toda mãe, que os filhos sejam alguém na vida, se tornem pessoas de bem, que não dependam de ninguém. Eu sou assim e acredito que muitos dos que estão lendo essa resenha também pensam dessa maneira. E nessa trajetória cometemos erros, protegemos demais, sonhamos em realizar os nossos sonhos no futuro dos filhos e aí cometemos o pior dos erros, tentamos viver a vida deles.
Marta foi desbravadora, não teve medo de viajar pelo mundo buscando realizar seus sonhos. Mas cometeu erros como qualquer ser humano, sofreu e foi dura com os filhos para que eles não passassem pelo que ela havia passado na vida. E assim eles seguiram seu exemplo, lutaram, amaram, tiveram seus próprios filhos e também pecaram pelos excessos.
Uma história escrita para um público certo, aquele que não tem medo de leituras fortes que trazem lições preciosas, que ensinam com as dores dos personagens os passos certos a seguir. Não espere encontrar no Legado de Marta muito romance, mas tenha certeza ele é repleto dele, não amores arrebatadores, mas amores sinceros, consolidados na luta, na conquista por algo melhor. Todas as quatro gerações desse livro amaram intensamente e não tiveram medo de viver.
Esteja preparado para adentrar numa história riquíssima, para conhecer essa família que com certeza irá passar a fazer parte da sua vida. Tenha certeza que depois do término da leitura você passará muito tempo lembrando dessa saga tão lindamente contada, sentindo saudades, tentando acertar e não cometer os mesmos erros.
Desde 1901 até os dias atuais. Não tem como não se apaixonar pelo Legado de Marta, uma verdadeira história de amor, um amor incondicional com base sólida no amor de Deus e ao próximo.