Este é o primeiro livro que leio do autor. Sei que para conhecer, um autor, precisamos conhecer sua obra, não apenas um livro. Mas quando uma característica é marcante, uma primeira impressão basta.
No quesito "harmonia do ser", este livro é fantástico, pois desvincula o Ser das influências externas que, geralmente, não percebemos seguir.
Vale a pena ser lido! O meu medo é que pessoas que levem a palavra ao pé da letra, que não tenham outros conhecimentos espiritualistas, entrem na "vibe" de Osho: de tão focado no "eu versus a sociedade", ele se torna, a meu ver, individualista. Ele tem razão em muitas verdades, mas num todo, parece que "a sociedade" é uma terceira pessoa, é um ser vivo e mal, não apenas o conjunto de comportamento de vários indivíduos, que ninguém controla. Além disso, por olhar apenas para si e para esta característica da alma: "a habilidade de sermos uno conosco", ele analisa a Humanidade de uma forma muito mais humana que divina. Como se a verdade estivesse aqui, neste mundo limitado e confuso, e não no Universo, em leis que ainda não conhecemos totalmente, mas que vão nos sendo revelada pouco a pouco (observem, estudem, e comprovem).
Por isso, temo. Temo que as pessoas deem-se por satisfeitas ao ter algum tipo de espiritualidade, mas, se ela for muito voltada para o eu e para as limitações humanas, não para nossas potencialidades, que o bem passe a ser, na verdade, um mal.
Sinto não uma compreensão dele em relação às (verdadeiras!) distorções e castrações da sociedade em relação ao indivíduo, mas uma revolta. E penso que tudo que façamos para o bem, mas com valores do mal - ciúme, inveja, revolta, ira ou qualquer outro vício da alma - perde um pouco o sentido, é uma distorção do Bem.
Já li outros livros bem mais completos para quem quer o encontro consigo, em harmonia com a relação interior e também a exterior, pois tudo o que existe baseado no equilíbrio tem mais a ver com a natureza da alma humana, das Leis do Universo. Dá para conciliar trabalho dentro deste sistema (se os bons saírem e deixarem o terreno livre para os maus, como mudar a situação?), dá para extrair o lado bom disso; dá para fazer autoanálise, melhora íntima mas, sem o termômetro do outro, sem movimentar o setor da habilidade altruísta de nossa alma, não chegaremos muito longe.
Ele sugere que a criança só tenha religião quando adulta. Concordo com o tradicionalismo excessivo de certas religiões. Mas, 1 - ele não conheceu a leveza da Doutrina Espírita (Allan Kardec, as outras são, equivocadamente, chamadas de Espíritas, mas não são! - busquem e saberão) e 2 - se somos seres tão imperfeitos e com a tendência a nos deixarmos levar pela influência do mundo, construir a vida sem religiosidade, tenha ela a forma que for, é bem difícil. Prefiro uma pessoa sufocada por uma religião ainda opressiva que, quando adulto, opte por encontrar uma melhor, mais afim, que um ser que cresce sem noção de Deus. Ou seja: mais uma vítima fácil da matéria.
Este seria um assunto longo, que não posso debater agora, nem aqui. Só penso que este foi o livro espiritualista mais materialista que li. Todavia, aprendi, também, com ele, e admiro esta capacidade de interiorização do autor, que eu busco. Recomendo, mas só para quem questiona e busca outras fontes, não para quem engole na íntegra tudo que vê.