A narrativa simples de Maurice Blanchot é profunda e expressiva. A sensibilidade está enraizada em cada uma das palavras, em cada sentença e principalmente na conclusão sobre a morte, leve e inanalisável:
"Era isto a guerra: a vida para uns, para outros, a crueldade do assassinato.
Permanecia, todavia, como no momento em que o fuzilamento estava iminente, o sentimento de leveza que não conseguirei traduzir: liberto da vida? o infinito que se abre? Nem felicidade, nem infelicidade. Nem a ausência de temor e talvez já o passo/não-passo para-além. Sei, imagino que este sentimento inanalisável mudou o que lhe restava de existência. Como se a morte fora dele não pudesse doravante senão combater contra a morte nele. 'Estou vivo. Não, estás morto."