Antes de mais nada, quero aqui declarar que não sou marquesista, ou seja, pró Marquesa de Santos, mas uma leopoldinista convicta (embora esse termo não apareça nos livros - rs), pois sempre fui grande admiradora da Imperatriz Leopoldina, pela honra, caráter e virtude demonstrados durante sua curta vida.
Entretanto tal posição ideológica não me impede de considerar a vida de Domitila de Castro Canto e Melo, a Marquesa de Santos, deveras rica, e também muito importante para o entendimento de diversos aspectos da História brasileira. E certamente uma existência tão interessante e complexa mereceria uma biografia à altura. E aí está.
A primeira coisa que me chamou a atenção em Domitila A Verdadeira História da Marquesa de Santos foi a fluidez do texto. É o tipo de livro gostoso de se ler, que prende o leitor, fazendo-o passar pelas páginas sem sentir tédio. Sim, é um livro de História, uma biografia, e não um romance. Mas que, ainda assim, consegue cativar!
Outro aspecto favorável foi o fato de Paulo Rezzutti ter tratado de todos os aspectos da vida de sua biografada, sem se ater apenas ao romance com Dom Pedro I. A obra aborda desde a família da Marquesa, o contexto da época do seu nascimento, o primeiro (e malfadado) casamento, a vida na corte, e, claro, o destino pós-Dom Pedro I. Nada escapa. Destaco que Domitila viveu por quase 70 anos, uma enormidade para aqueles tempos. E teve uma vida muito intensa, não só enquanto ostentou o título de amante imperial. Foi ativa na política e na sociedade, tendo, inclusive, abraçado causas nobres.
Achei oportuno o fato de o livro não terminar com a morte da Marquesa, mas também contar um pouco sobre seus descendentes, abordar seu tratamento na cultura do país e tratar de uma suposta santidade (sim, ela tem devotos). Esse diferencial completou a biografia, e deixa claro que uma personalidade tão marcante não se extingue com o mero falecimento, continuando viva no imaginário nacional.
Não há dúvidas de que a Marquesa de Santos é polêmica. E a leitura de sua biografia deixa claro o porquê disso. Tudo em sua existência foi intenso: amor e ódio, atos nobres e vis, poder e decadência, ventura e desventura. Quer seja o leitor marquesista ou não, ou, talvez, um mero curioso, vale muito a pena conhecer sua vida e, junto com ela, um período importante de nossa História.
Leitura recomendadíssima!