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    Meu Michel -

    Amós Oz

    Companhia das Letras
    2002
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-10: 8535902198
    Português Brasileiro
    4.1
    100 avaliações
    Leram188Lendo9Querem163Relendo0Abandonos6Resenhas16
    Favoritos8Desejados163Avaliaram100

    Romance que projetou Amós Oz no cenário literário do Ocidente, Meu Michel, lançado em 1968, é o retrato magistral de Hana Gonen, uma mulher que desliza lentamente para a névoa do delírio esquizofrênico, na Jerusalém da década de 1960. Em 1998, quando Amós Oz recebeu o Prêmio Nacional de Literatura de Israel, uma ala da direita israelense apresentou queixa num tribunal, alegando que os textos escritos por ele provocavam dor. O que se pode fazer contra a dor que um texto é capaz de provocar? À parte as implicações políticas locais, esse episódio que comporta algo de grotesco apenas confirmou a força da literatura de Oz. Lançado em Israel em 1968 e reeditado agora no Brasil com nova tradução, Meu Michel é o retrato magistral de uma mulher que desliza lentamente para a névoa do delírio esquizofrênico, na Jerusalém da década de 1960. A protagonista, Hana Gonen, trinta anos, é casada com um geólogo calmo, trabalhador, sensível - o "meu Michel" -, um bom cidadão que, ao contrário da mulher, se recusa a estender seus sonhos para além da linha do despertar. Para Michel, o tempo presente é a matéria dócil com a qual se deve moldar o futuro. Já Hana se apega à memória e às palavras como quem se agarra a um parapeito num lugar muito alto. Com o passar do tempo, como uma ravina no deserto - tema da tese de doutorado de Michel -, a fenda entre os dois se alarga. Abandonada aos próprios pensamentos, girando em volta de si mesma, Hana deixa de ter o mundo exterior como referência. Os contornos se borram. Schízo - em grego, "cisão", "separação" - é o termo para esse desgarrar-se da realidade, para o delírio que aos poucos cresce dentro dela como uma planta exuberante, feita do desencontro assustador e doloroso entre atos, desejos, memória e palavra.

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    Resenhas (16)Ver mais
    Fabiana Martino picture
    Fabiana Martino11/05/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A delirante e o pragmático

    Livraço! Mas primeiro preciso destacar o “pano de fundo” da história: Israel, década de 1960 (lembrando que a criação do Estado de Israel foi em 1948). Nesse contexto histórico, temos Hannah, casada com Michel, um geólogo pacato e inteligente. Com o tempo, ela mostra-se infeliz com o casamento (e chata demais!) além de ter dificuldades em amar seu próprio filho (que tb é um chato!). Hannah passa a ter delírios e fantasias bem complicados… uns sonhos esquisitos. Vale ressaltar que a narrativa é toda em primeira pessoa, feita por Hannah. Então temos só a visão dela sobre as coisas. Sobre a escrita de Amós: maravilhosa! Enriquecedora e detalhista! Obrigada, meu amigo Gleidson, por me indicá-lo.

    40 curtidas

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    4.1 / 100
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    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas0%
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    Amos Klausner

    Escritor, jornalista e ativista israelense, co-fundador do movimento <i>Shalom Akhshav</i>, é considerado um dos melhores escritores da atualidade, traduzido para mais de 22 línguas, onde reflete a temática da fragilidade da natureza humana.

    65 Livros
    157 Seguidores

    Amos Klausner