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    70 anos de radiojornalismo no Brasil- 1941-2011 -

    Sonia Virginia Moreira

    UERJ
    2011
    384 páginas
    12h 48m
    ISBN-13: 9788575111970
    Português Brasileiro
    4.5
    2 avaliações
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    Com 384 páginas, a obra, organizada por Sônia Virgínia Moreira, é resultado de 20 anos de pesquisas sobre rádio desenvolvidas na Intercom. São artigos de diversos pesquisadores de diferentes estados brasileiros, que se propuseram a construir a memória do rádio. Do pioneirismo do Repórter Esso às rádios comunitárias e digitais, os textos abordam diversos aspectos deste meio de comunicação de massa, divididos em quatro temáticas principais: Referencial histórico; Notícia, reportagem e repórter; Linguagem e público; e Análises regionais.

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    Luis Eduardo Souza Costa23/02/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Visões do radiojornalismo

    Fui criado ouvindo rádio. A paixão hereditária (meu pai cultiva até hoje o hábito de deixar, por toda à noite, um aparelhinho à pilha permanentemente ligado sob o travesseiro) me levou à uma breve experiência na Rádio Saara no Rio de Janeiro, seguida de quase um ano de programa dominical em um emissora comunitária. Tal paixão recrudesceu durante os anos da faculdade de jornalismo e, mais recentemente, em um curso profissionalizante de radialismo. E justamente a caminho desse curso, em um sábado de 2013, me deparo com o volume “70 anos de Radiojornalismo no Brasil” (Ed. Uerj, 2011) oferecido a míseros R$5,00 na tradicional feira de livros das praças cariocas, que na ocasião estava montada na Cinelândia. Organizado pela professora Sonia Virginia Moreira, o livro é uma coletânea de ensaios acadêmicos que se debruçam sobre os aspectos históricos, estruturais e teóricos da atividade jornalística radiofônica brasileira, desde os primórdios, marcados pela lógica da “gilette press”, a velha prática de coletar informação dos jornais e veiculá-las sem um tratamento específico, passando pelo momento paradigmático da estreia do “Repórter Esso”, culminando na proliferação do modelo importado de rádios “all news”. Divididos em blocos temáticos, os 23 artigos expõem de forma clara e acessível, mesmo ao público leigo, o rico panorama que permitiu ao rádio sobreviver às mudanças tecnológicas constantes e, antes, se integrar à elas, desenvolvendo uma linguagem jornalística própria, adequada às suas especificidades. Não por acaso, a quase totalidade dos artigos enquadrados no bloco de referencial histórico destacam o papel fundamental do “Repórter Esso” nesse processo. Esquema de programa noticioso criado pelas agências de propaganda que serviam à Standard Oil, e com o objetivo de sistematizar a divulgação de notícias dos fronts da Segunda Guerra, o “Repórter Esso” foi implementado em vários partes do mundo, tendo estreado no Brasil em 28/08/1941. Sua estrutura concisa em texto e duração (em média 5 minutos), o estilo “manchetado” (foi o primeiro a contar com um manual de redação), infringido por uma locução solene a cargo de um apresentador exclusivo ( o mais famoso tendo sido o gaúcho Heron Domingues), embalado pela plástica sonora de impacto (todos os relatos mencionam a marcante fanfarra de abertura , composta e gravada pelo Maestro Carioca) e um slogan certeiro (“testemunha ocular da história”), o “repórter” foi a pedra fundamental de tudo que se faria a partir de então, pelos menos pelas quatro décadas seguintes, em termos de radiojornalismo. Mesmo deixando de ser veiculado em 1968 (na televisão duraria até 1950), quando já havia trocado a Rádio Nacional, sua emissora original, pela Rádio Globo, tempos depois sua influência ainda podia ser verificada de forma explícita. Na própria Rádio Globo, o noticiário “O Globo no Ar” seguiu por anos a fio o mesmo padrão. Na Rádio Tupi, o “Sentinelas da Tupi” também se inspirava nesse modelo, tendo como locutor principal até a década de 80 Alberto Cury (irmão dos míticos Ivon e Jorge Cury). Há espaço também para a análise do papel do repórter na dinâmica do jornalismo radiofônico, papel esse potencializado sobretudo na Rádio Continental do Rio de Janeiro, a primeira, ainda que de forma embrionária, a adotar o lógica all News, já nos anos 60, e , logo depois, com maior influência, na Jovem Pan. Boa parte da obra aborda a estrutura tipicamente mais representativa do radiojornalismo das últimas duas décadas : o já citada filosofia de rádios totalmente voltadas ao noticiário e reportagens, inaugurado no Brasil nos anos 90, entre outras pela CBN, emissora do grupo Globo. Embora os artigos dialoguem entre si e forneçam em conjunto um apanhado significativo da atividade, explorando suas bases históricas e perspectivas, tendo em vista o atual cenário, em que de certa forma o papel do jornalismo profissional, como um todo, vem sendo rediscutido (e aí, cabe destacar a contribuição dos textos que investigam a precária estrutura noticiosa das atuais rádios comunitárias, quase uma volta ao pré histórico gillete press, agora adaptado à internet) é notável à restrição do conceito de radiojornalismo à uma proposta algo elitista que privilegia as chamadas hard news, fortemente calcadas nas informações políticas e econômicas. Talvez, uma visão mais abrangente pudesse ser atingida se o leque contemplasse a fascinante fauna do rádio esportivo, dotado de toda uma dinâmica própria, muito próxima à fronteira do entretenimento, seção marcante do rádio pré TV, como também o discriminado rádio policial. Não por acaso, essas duas vertentes são autênticos carros chefes das emissoras populares Brasil afora e, embora muita gente discorde, também são legítimos representantes do jornalismo radiofônico. O fato é que “70 anos de radiojornalismo no Brasil” traz contribuições cruciais para se entender a dinâmica da atividade e o papel fundamental que, a despeito de todas as mudanças, o rádio ainda ocupa na vida dos brasileiros. Seguimos na escuta.

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