No publication understood the Thatcher project better than The Spectator. We backed her for the leadership in 1975 when no other national publication would. We understood her opportunities, foibles and genius when many of our rivals were baffled by this coarse-sounding lady and her popular appeal. We have put together 21 essays from the period into our first-ever ebook: Margaret Thatcher in The Spectator 1975 – 1990.
Margaret Thatcher in The Spectator 1975-1990 -
The Spectator
Raridade - de ser humano e de livro
Eis aqui algo raro de se ver. O Spectator é um antigo periódico inglês que defende idéias hoje consideradas hereges, como Estado limitado, austeridade fiscal, liberdade individual e de mercado e responsabilidade pessoal. Pois bem, o que seria a cobertura dos anos de mandato de Margaret Thatcher - a filha do vendedor de verduras que defendia justamente estas mesmas idéias - a não ser uma sucessão de artigos panegíricos? Não é. Na coleção de escritos reunida pelo jornal, os anos do thatcherismo são descritos com feroz mordacidade, assim como a insigne senhora da qual o adjetivo deriva. Os escribas não se contentam em argumentar que ‘thatcherismo’ é uma palavra sem significado, fazem também questão de dizer que Margaret era mais uma figura midiática do que uma administradora decente, ou então que até mesmo o troca-tiros nas Malvinas foi conduzido aquém do esperado. Críticas negativas, porém construtivas. É inegável, por parte do corpo editorial, a admiração à figura colossal da líder inglesa, por maiores que fossem os seus defeitos. Gera-se, assim, um equilíbrio de vieses de agradável leitura, uma vez que rico e bem analisado. Os melhores textos são, sem dúvida, aqueles que discorrem sobre o posicionamento imparcial de Thatcher perante o soerguimento do gigante estatista que iria, menos de 20 anos depois, destruir a Europa por completo: a União Européia. Tal postura de Thatcher – eis a impressão que fica, pelo livro – foi o que precipitou sua derrocada política (bem diferente da versão mostrada no filme "A Dama de Ferro", de 2011). Os argumentos que ela utilizava à época – e que o Spectator não cansou de mitigar – são exatamente os mesmos que, atualmente, gente como Lord Lawson, líder Tory, e o partido UKIP vociferam. Os últimos, todavia, falam com conhecimento de causa; Thatcher foi mais arguta, uma líder visionária que teria evitado grandes danos econômicos à ilha bretã caso tivesse sido ouvida. Poucas vertentes políticas tratam com honestidade a realidade, muito menos o passado e menos ainda os líderes que representam seus ideais. O apanhado de escritos do Spectator é um símbolo do pensamento e do espírito liberal clássico, nascido e amadurecido ali mesmo por aquelas paragens da Rainha, e que felizmente ensaia um retorno.
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