Escolhido como Livro do Ano pelo The New York Times, este romance também recebeu o prêmio Pulitzer, em 1990, e já foi traduzido para 25 idiomas. Ao dar vida a esses músicos, o autor retratou um período histórico riquíssimo, mostrando o sonho americano (e o oposto dele) no pós-guerra. Costurando a narrativa e a cadência característica da música cubana, como o ritmo quente e a sensualidade, as cenas de sexo que permeiam toda a obra são descritas de forma clara e exuberante, mas sem deixar a literatura de lado.
Os mambo kings - tocam canções de amor
oscar hijuelos
Música, orquestra e nostalgia
Eu acho que não sou daqui. E falo isso com propriedade, conhecimento e muita vontade de voltar no tempo. Se pudesse, ia chamar o Dr.Who, dar um sopapo nele, roubar aquela cabine telefônica e dar um pulo pelo menos umas décadas atrás, onde os homens eram elegantes, as mulheres sensuais sem mostrar nada (ou quase nada) e as músicas fossem algo diferente de músicas repetitivas, dancinhas de números pares e bundas de fora. Posso fechar os olhos e me ver na época das big bands, a meia-luz, o cheiro de perfume e cigarro no ar, aquele que deixa a gente embaçado e vontade de tossir (mas não vamos cortar o romantismo). Posso até imaginar os cantores, cantando músicas latinas com vozes suaves e roucas. Lábios carnudos à beira no microfone fazendo a gente (isso aí, vocês estão comigo nessa), olhos profundos e canções que nos prometem as mais doces canções de amor. Posso até dar nomes para eles, César e Nestor... Acorda, Danilo, estes são os personagens do livro desta vez. Pois é, desta vez estou falando de Os mambo kings tocam canções de amor, escrito pelo magnífico Oscar Hijuelos. Já faz um tempo que este livro saiu, até virou filme - Os reis do mambo, interpretado por Antonio Bandeiras - mas finalmente chega até nós, leitores brasileiros, pela Editora Virgilae. O nosso personagem principal é César Castillo, que velho e cansado, relembra por meio de sua história para nós, leitores, a sua ascensão e queda. Da beleza da Cuba pós-guerra, com sua cidade ensolarada, berço da cultura e música, até a vinda dele e seu irmão mais novo, Nestor, para Nova York, a terra das oportunidades, onde chegam a ter uma música no programa I Love Lucy, o maior destaque dos EUA entre as décadas de 40 e 50. Conhecemos as paixões, amantes, dinheiro e mentiras, traições e dor que o poder tem a capacidade de influenciar. O que torna esse livro tão especial? A complexidade dos personagens, a riqueza da escrita e, principalmente, a viagem do tempo que o livro nos proporciona. Gente, assumo que viajei sem precisar de maquininha nenhuma por um tempo mágico, cercado de sol, amor e música tão quente quanto uma história de amor latina. Caliente... Veja resenha completa no site: http://migre.me/eEaPO
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