Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições2
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas12
    • Leitores411
    • Similares4
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    A Arte de Voar -

    Antonio Altarriba

    Veneta
    2012
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788563137036
    Português Brasileiro
    4.4
    175 avaliações
    Leram230Lendo10Querem169Relendo0Abandonos2Resenhas12
    Favoritos22Desejados169Avaliaram175

    Um dos maiores sucessos dos quadrinhos europeus dos últimos anos, a "Arte de Voar" chega ao Brasil trazendo na bagagem elogios entusiásticos da crítica e alguns dos principais prêmios do gênero. O roteirista conta a história de seu pai, que lutou na guerra civil espanhola, participou da Resistência francesa anti-nazista, mas acabou seus dias sentido-se derrotado pela História. Um drama que reconta o século XX através da vida de um homem.

    Edições (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover

    Similares (4)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (12)Ver mais
    Marcelo Gabriel Delfino picture
    Marcelo Gabriel Delfino22/10/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Mais um quadrinho espanhol que leio e fico extasiado. Mesmo que não sejam muitos os autores espanhóis que li, todos foram muito acima da média. É uma pena que, de modo geral, quando se fala de quadrinhos europeus, raramente a produção desses artistas entre na conta. No caminho aberto por Maus, embora a comparação entre os dois não possa ser levada muito longe, como veremos, certamente esse aqui é um dos que mais se destacam. Apenas para orientar futuros leitores que esperam uma versão espanhola de Maus ou de Fun Home (e pior ainda de “Você é minha mãe?”), esse álbum também narra a vida do autor, mas sem cair no psicologismo de Alison Bechdel, nem na pseudometalinguagem de Maus. Ao contrário, aqui, através de um raciocínio lógico e bastante verdadeiro, me parece, o autor transfere a voz do narrador para o próprio personagem principal, seu pai. E nesse ponto, apesar de tratar do mesmo período que Maus, a diferença é gritante. O autor não insiste em mostrar o quanto era difícil a convivência com seu pai. Prefere mostrar que de um jeito ou de outro, viver é uma sucessão de escolhas. E durante a juventude elas parecem infinitas, parecem não trazer sequer relação entre si. Os caminhos podem ser mudados e depois abandonados, simplesmente porque há muito tempo disponível. Mas à medida que envelhecemos as escolhas diminuem porque são condicionadas por outras que fizemos anteriormente. De modo que no fim da vida, ao olhar para trás, só o que vemos é um único caminho, uma sequência lógica e determinista, onde a escolha foi eliminada. E tudo parece inevitável. Creio que embora não pareça, essa é a justificativa para o autor se colocar no papel do pai e contar a história em primeira pessoa: ou como ele diz, o filho já está contido no pai, e mesmo depois de morto, este continua a viver através daquele. Mas ainda assim, é o filho avaliando a vida do pai. E ele evita julgá-la em termos de sucesso ou fracasso. Em Maus, a mera sobrevivência, mesmo diante de todos os problemas de relacionamento entre os dois, já é suficiente para justificar o livro. Aqui, a sobrevivência já está posta, afinal o pai continua no filho, assim como este já vivia naquele momento, ao menos em possibilidade. Isso quer dizer que Altarriba não tem medo de mostrar o quanto a vida parece sem sentido mesmo depois de tudo que se realizou. E acredito que o principal motivo disso é a contradição entre os ideais que o alimentaram durante a vida, que o fizeram lutar contra os fascistas e depois tentar sobreviver durante a ocupação alemã à França, onde se refugiou. Mais tarde, voltando a seu país natal descobre que venceu a guerra, mas saiu perdedor, porque o franquismo conseguira se estabelecer. Enfim, seus ideais mostravam que era preciso lutar pela revolução, por uma sociedade mais justa, mais igualitária, mas sua história mostrou que apesar dos grandes ideais, é sobre as pessoas comuns, sobre os indivíduos que as catástrofes se abatem. Essa grande contradição, ideais de coletividade, de um lado, e por outro lado, em sua vida concreta, a necessidade de sobreviver como um indivíduo, como um átomo diante da História, com H maiúsculo, só pode ter sido o motivo de tanta tristeza no fim de sua vida. E digo isso porque a sensação não pode ter sido outra senão a de que o tempo todo traiu aquilo que acreditava. Me parece que, ao menos para pessoas com valores morais elevados, como ele se via, não pode haver nada pior do que sentir que traiu tudo o que acreditava. Infelizmente, e isso aparece bastante desde o início da história, jamais houve uma reflexão aprofundada para tentar concluir se aqueles valores eram verdadeiros ou não. Parecia o correto a se fazer, lutar por uma sociedade mais justa, com menos pobreza, mas nunca houve um método para se chegar lá. Sabia apenas que era preciso lutar, e foi o que fez durante toda a vida. Mas esqueceu, quando olhava para trás, que só o fez porque havia paixão, o elemento essencial e que evapora logo depois que damos o passo a que fomos impelidos. A arte de voar é, portanto, a retomada da capacidade de escolha na vida. E mesmo que essa escolha seja por uma solução drástica e impossível de voltar atrás. Mas se pensarmos que seu pai via o quanto essa capacidade lhe fora retirada com o avanço da própria vida, da idade, a ponto de sentir-se um mero passageiro — ele que sempre estivera no controle, pilotando e decidindo o caminho e a velocidade —, podemos até não aceitar, mas o raciocínio não chega a ser absurdo. Naturalmente que poderíamos enveredar por uma longa discussão sobre o absurdo do suicídio como resposta ao absurdo da vida, mas deixo essa questão para os leitores, assim como tenho a minha. Pode ser que ninguém concorde com minha leitura, mas esse álbum me pareceu com uma carta de amor e compreensão. Tendemos sempre a olhar a vida dos outros avaliando e buscando seus erros, ainda mais quando se trata de nossos pais. É uma tentativa de compreender o horror da vida que termina, de contextualizar suas escolhas. A despeito da maneira como a possibilidade de escolha é retomada, esse é um trabalho que demonstra a raríssima capacidade de alteridade.

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.4 / 175
    • 5 estrelas49%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas10%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas1%
    Antonio Altarriba profile picture

    Antonio Altarriba

    É um escritor, ensaísta e, acima de tudo, argumentista reputado. Este catedrático de literatura francesa da Universidade do País Basco obteve, em Espanha, o Premio Nacional del Comic em 2010 com A Arte de Voar.

    3 Livros
    3 Seguidores

    Antonio Altarriba