O romance (ou novela) tem como protagonista Ramiro, um professor recentemente retornado de Paris, que pretende dar aulas na província do Chaco, Argentina. Durante sua visita a um velho amigo de família (Ramiro tem 34 anos), acaba cedendo aos encantos de Araceli, de 13 anos, e tendo com ela momentos de intensa tentação e prazer, mas com uma "finalização" quase trágica e forçada.
A partir daí, tudo degringola na vida dele. O romance se passa em três dias, mas as decisões que ele toma uma atrás da outra parecem levá-lo ainda mais ao fundo do poço. Ele se arrepende de ter cedido à tentação de uma garota bonita e intensa, digamos, e ter mergulhado a vida em caos, envolvendo uma morte e o sinistro de um carro emprestado.
"Luna Caliente" tem uma escrita boa, estilo que prende o leitor, direto, quase sucinto demais; Mempo Giardinelli é um escritor surpreendentemente pouco conhecido nos dias atuais. E em meio ao debate atual (envolvendo pedofilia, inclusive), o livro ganha corpo por se tratar das nossas limitações a resistir a impulsos primitivos, independentemente se relacionados ao tema do livro ou não, e a necessidade de avaliarmos as consequências de nossos atos antes de executá-los. O livro se passa, também, durante a ditadura argentina - que não passa despcercebida na história.
Por fim, embora trate de algo pesado, "Luna Caliente" é altamente recomendável para quem gosta de estórias diretas, temas picantes (sabendo-se separar realidade e ficção) e estilos bem elaborados e acessíveis, como o do autor.