DO TODO QUE ME CERCA -

    Cinthia Kriemler

    Patuá
    2012
    107 páginas
    3h 34m
    ISBN-13: 9788564308619
    Português Brasileiro
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    vivian aurora de moraes bragagnolo picture
    vivian aurora de moraes bragagnolo04/01/2015Resenhou um livro
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    "Do todo que me cerca", crônicas de Cinthia Kriemler

    Cinthia Kriemler é um grande talento. Especialmente como prosadora, gosta de se autodenominar contista. Nem por isso, deixou de publicar um excelente livro de crônicas pela Patuá em 2012, anterior ao seu livro de contos "Sob os escombros", pela mesma editora, no ano seguinte. O fato é que "Do todo que me cerca" está esgotado -- talvez se possa encontrar um ou dois exemplares na editora -- e é uma prova de que Cinthia faz bonito mesmo no que acredita não ser exatamente "a sua praia". No próprio livro, na crônica "A contistas e cronistas", Cinthia apresenta seu receio de não ser boa contista. Enumera os dotes que lhe faltam. Lendo todos os outros contos, porém, nota-se que é um caso, senão de autocrítica excessiva, pelo menos de uma modesta descabida. A primeira crônica é pesada. "As meninas do viaduto" retrata o dia a dia de meninas prostituídas. A crônica é ótima, faz pensar, e um texto literário que não faz pensar não merece este nome. Também faz sentir, e, sobre isso, o comentário é o mesmo. Mas há também crônicas divertidíssimas, como "Meia-idade". Há romantismo em "No Carnaval", e "Cardumes" trata da nossa triste humanidade: "Cardumes são aglomerados interessantes. Vistos do alto, parecem uma mancha assustadora em movimento, um monstro submerso. No entanto, de perto, num prazeroso mergulho feito ao fundo do oceano, é possível enxergar distintamente cada peixe, pequeno ou grande, rajado em cores ou acinzentado, lento ou rápido, voraz ou delicado, predador ou vítima. Quando juntos, protegem-se melhor dos ataques de peixes maiores. E, se maiores, protegem-se mais dos ataques dos homens. Nós, criaturas racionais, deveríamos ser assim. Nem mais um olhar ao espelho da vaidade, nem mais uma decisão solitária, nem mais um desprezo em relação ao menor, ao mais fraco, ao mais pobre, ao mais feio. Deveríamos manter por perto os semelhantes. Deveríamos buscar comida em bando. Deveríamos mudar de direção para fugir dos riscos, mas também pela opção do passeio. Deveríamos. Mas não somos cardumes. Nosso aprendizado é de separações, e não de abraços. É de meu, não de nosso. É de sobrevivência, e não de vida. Porque não sabemos ser cardumes." Uma crônica breve, mas tocante, sem dúvida. Uma faceta pouco conhecida de Cinthia é a de poeta. Eu já tive a oportunidade, aqui e ali, de ler -- e publicar um deles -- alguns de seus poemas. Quem sabe a relação Cinthia-Patuá não nos brinde, em breve, com uma obra poética de Cinthia Kriemler?

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