O diabo no corpo (Grandes Amores) -

    Raymond Radiguet

    Penguin-Companhia das Letras
    2013
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-13: 9788563560681
    Português Brasileiro

    <b>Uma história de amor ao mesmo tempo bela e cruel, escrita por um talento precoce, que causou sensação quando foi publicada na Paris do início dos anos 1920.</b> Em meio ao sofrimento das trincheiras da Primeira Guerra Mundial, a jovem esposa de um soldado em batalha inicia um caso com um adolescente de dezesseis anos, o narrador deste <i>O diabo no corpo</i>. O envolvimento entre os dois vai se tornando mais sério. Ela engravida. O falatório começa a se espalhar pela vizinhança. O cerco se fecha sobre os amantes. Um final trágico se anuncia. Quando publicado pela primeira vez, em 1923, o livro de estreia de Raymond Radiguet causou sensação nos círculos letrados de Paris - em parte por se tratar da produção de um prodígio, escrita quando seu autor tinha dezessete anos, e por ser considerada uma obra-prima por um autor do quilate de Jean Cocteau. Acrescentando ao clima geral de expectativa em torno do livro antes ainda de seu lançamento, tratava-se de uma história de inspiração autobiográfica - o jovem escritor havia se envolvido em um escandaloso caso de amor com uma professora na adolescência. Apesar da estreia promissora, <i>O diabo no corpo</i> acabou sendo o único sucesso que Radiguet conheceu em vida. O autor faleceu poucos meses depois, de febre tifoide, aos vinte anos de idade.

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    Alexandre Figueiredo03/04/2021Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Pecado íntimo

    Amar perdidamente alguém é um ato de coragem. Mas amar perdidamente um amor proibido, como é o caso das traições, é um pecado íntimo. E essa é a proposta de “O diabo no corpo”. Raymond Radiguet nos deixou jovem demais. Falecido aos 20 anos, pouco tempo depois do lançamento de “O diabo no corpo”, sua estreia na literatura, o autor foi um prodígio do qual nunca conheceremos o futuro promissor que o aguardava. Mas não será preciso. O romance (ou novela?, nunca saberei distinguir) gira em torno de um jovem com 16 anos que se apaixona por uma mulher mais velha - mas não tão mais velha - que se casa com um soldado que está na guerra. A premissa romântica clássica é enganadora, pois o livro oferece muito mais que amor e tragédia, fórmula shakespeariana de sucesso que arrebata corações e atravessa séculos. Narrando em primeira pessoa, Radiguet oferece pontos de vista maduros para um jovem estudante francês no início do século XX. São várias as dúvidas que permeiam o amor proibido: há uma idade certa para amar alguém? E o nosso amor, para ser verdadeiro, deve pertencer a outra pessoa? A quem de fato cabe uma traição, ao traído ou ao traidor? São questões profundas que talvez até os mais velhos dos amantes não saibam responder. Além disso, leitores que marcam compulsivamente trechos, preparem-se: são várias as belas e curtas frases com fundo filosófico, mostrando que não importa o tamanho de um bom livro. “O diabo no corpo” é permeado de romantismo, mas que nem por isso deixa de apresentar questões naturais (e reais) para todos que se deparam com esse sentimento incontrolável chamado amor. Com um final competente, mas previsível, Radiguet mostra que os grandes amores e os grandes amantes ainda são mais interessantes na ficção do que na realidade. Afinal, como lembra o tradutor Paulo César de Souza no posfácio, quando questionaram Radiguet sobre a sua falta de vivência para escrever sobre tal experiência amorosa, o autor respondeu: “Mas gostaria de saber em que idade se pode dizer: ‘Eu vivi’. Esse uso do tempo passado não implica logicamente a morte? Por mim, creio que em qualquer idade, mesmo a mais tenra, já vivemos e começamos a viver.” É preciso dizer mais alguma coisa?

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