Malcolm X - Uma vida de reinvenções

    Manning Marable

    Companhia das Letras
    2013
    648 páginas
    21h 36m
    ISBN-13: 9788535922677
    Português Brasileiro

    Biografia ganhadora do prêmio Pulitzer de 2012 revela as muitas transformações e lutas na vida do mais radical militante antirracista dos Estados Unidos. Numerosas personagens compõem as metamorfoses sofridas por Malcolm Little, o franzino filho de uma família de negros pobres nascido numa pequena cidade do Centro-Oeste americano, até sua conversão decisiva em Malcolm X, o religioso muçulmano e incendiário combatente da revolução mundial que morreu como apóstolo da paz entre os povos. Antes de se tornar um interlocutor de guerrilheiros, intelectuais, teólogos e primeiros-ministros ao redor do planeta, o mártir pioneiro dos direitos civis nos Estados Unidos foi sucessivamente Homeboy, Jack Carlton, Detroit Red, Big Red e Satan; Malachi Shabazz, Malik Shabazz e El-Hajj Malik El-Shabazz. Esses nomes de sonoridades e sentidos tão contrastantes entre si indicam os rumos contraditórios assumidos pela vida de Malcolm até o encontro definitivo com o Islã, que o levaria ao ativismo político. Ladrão, agenciador de prostitutas e viciado em drogas na década de 1940, quando também conheceu os horrores da prisão, ele abandonou o crime para abraçar com sua oratória brilhante, amparada em leituras autodidatas e nos ensinamentos do Corão, uma luta sem quartel contra o racismo e a injustiça social. Entretanto, como demonstra Manning Marable, a mesma personalidade profundamente contestadora sempre esteve por trás das diversas máscaras sociais usadas por Malcolm. Numa narrativa minuciosa, o autor acompanha os passos desse gigante afro-americano ao longo de dezenas de cidades dos Estados Unidos, além das viagens à África, à Europa e ao Oriente Médio como porta-voz da revolta dos descendentes de escravos e dos direitos dos oprimidos.

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    Morgoth 20/11/2024Resenhou um livro
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    Malcolm X, imortal.

    "Até agora só os negros sangraram, e isso não é visto pelos brancos como derramamento de sangue. Para que o homem branco considere um conflito sangrento, é preciso que sangue branco seja derramado." Com uma infância conturbada, racismo, atentado com bombas caseiras contra moradia dos Little.  Agressão e assassinato de seu pai Earl Little pela Black Legion, uma organização terrorista de supremacistas brancos. Apesar do seu corpo ter sido quase dividido em dois, não morreu de imediato, falecendo tempo depois. Com muitas dificuldades ao longo dos anos mãe de Malcolm teve um colapso mental e a após ser internada no Hospital Psiquiátrico de Kalamazoo. As crianças foram separadas e enviadas para lares de acolhimento.  Adolescência não poderia ser diferente para Malcolm, que se ligaria com atividades criminosas. Ele traficava drogas, participava do negócio de jogos de azar, estava envolvido em extorsão e lenocínio, e roubava. Foi declarado "mentalmente incapaz para o serviço militar" depois que ele disse ao conselho de alistamento que seu desejo era ser enviado para o Sul, "roubar algumas armas e matar brancos". Conhecido na cadeia como Satã por suas atitudes antirreligiosas. Ainda na prisão, Malcolm teria sua mudança de vida, espiritual e social. Tornando-se um líder com passar dos anos.  Afastado da vida antiga, agora membro em ascensão meteórica dentro da Nação do Islã, Malcolm passa ser uma figura pública incomoda dentro e fora das mesquitas. Suas ações sociais na luta pelos direitos civis, contra qualquer injustiça e Fortaleza do toda uma comunidade aos poucos o afastaria dos líderes religiosos que estavam mais interessados no dinheiro.  Com sua saída da Nação do Islã, ruptura com membros e principalmente com o líder no qual por décadas Malcolm seguiu, Elijah Muhammad, tornariam sua vida ainda mais complicada, pois perseguição contra ele seria maior, fosse pelos federais ou pela Nação do Islã.  Em 21 de fevereiro de 1965, Malcolm seria assassinado na frente de uma plateia que aguardava seu discurso. Apesar de uma morte prematura aos 39 anos, todo seu legado não foi esquecido. Inspirando milhões de pessoas ao redor do mundo, Malcolm tornou-se muito mais do que um símbolo, mas um mártir.  "A revolução e sangrenta, a revolução é hostil, a revolução não faz concessões, a revolução derruba e destrói tudo que apareça no caminho. E vocês, sentados aqui como uma saliência na parede, dizendo: "Vamos amar essas pessoas, e pouco importa o quanto nos odeiem". Não, vocês precisam de uma revolução. Quem já ouviu falar de revolução em que as pessoas se dão os braços, como disse belamente o reverendo Cleage, cantando "We Shall Overcome" [Venceremos]? Não é assim que se faz numa revolução. A gente não canta nada..."

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