O Ateneu -

    Raul Pompéia

    Nobel
    2010
    205 páginas
    6h 50m
    ISBN-13: 9788521315919
    Português Brasileiro

    Considerado um dos mais inteligentes romances de nossa literatura, O Ateneu, publicado em 1888, mescla várias tendências estéticas e desafia a crítica literária, que o define como obra realista/naturalista, impressionista e expressionista. Ao intercalar lembranças sofridas e episódios cruéis, o romance denuncia as arbitrariedades do sistema educacional da época, a partir de um internato em que os alunos aprendem toda sorte de injustiças, delações e humilhações. Como o autor estudou em internato, muitos críticos apontam para o aspecto autobiográfico da obra, o Ateneu seria o Colégio Abílio e o diretor Aristarco seria o dr. Abílio César Borges. Raul Pompeia nunca escondeu suas convicções abolicionistas e republicanas, o que sugere mais uma intenção: o Ateneu seria a monarquia decadente e Aristarco, o governo. Ao incendiar um e arrasar outro, representa-se a queda da monarquia e de suas instituições falidas. Esta publicação reafirma o compromisso de qualidade da Editora Nobel com leitor, de oferecer obras que figuram entre as mais signiicativas do século XIX.

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    Clio picture
    Clio15/06/2024Resenhou um livro
    3 (Bom)

    O Ateneu é a história de um trauma descrito pelas mãos de quem o viveu e diferente da literatura atual, em que escritores simulam um livro de terapia com ficção, não há preparos para tornar essa uma leitura dinâmica e envolvente. A atmosfera acolhedora primeiramente apresentada da casa materna é bruscamente trocada para o ambiente árido do internato, o "ateneu", onde o protagonista passa a maior parte de sua adolescência. Não sendo alguém descrito como particularmente atlético, inteligente ou mesmo popular, restou ao autor a posição inferior que numa época em que agressões eram vistas como métodos de ensino naturais ou instituicionais, o relegava a miséria. Como muitos que revivem memórias violentas, Pompéia reproduz meticulosamente certos detalhes, como se a floração do quotidiano pudesse banalizar os incidentes. São portas abertas, livros fechados, cabelos escovados e outros artíficios recorrentes no texto que tem uma ótima estrutura em termos mais técnicos. Aqueles mais interessados no sensacionalismo barato das alusões de homossexualidade e castigos corpóreos vão ficar decepcionados. Essa é sobretudo uma obra circunspecta.

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