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    Almas inquietas -

    George Sand

    Editora Clube do Livro
    1959
    183 páginas
    6h 6m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.3
    3 avaliações
    Leram7Lendo0Querem16Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos0Desejados16Avaliaram3

    Há duas traduções de da obra original de George Sand, intitulada "Elle et Lui", denominadas, no Brasil, de "Almas inquietas" e "Ela e ele", ambas realizadas no mesmo ano pelo mesmo tradutor, José Maria Machado. Deve-se ressaltar a possibilidade das traduções realizadas por José Maria Machado, “Almas inquietas” e “Ela e ele”, serem uma adaptação da tradução portuguesa realizada por Óscar Sidónio e intitulada “Almas imperfeitas”, publicada em 1945.

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    Pablo Pax picture
    Pablo Pax03/11/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Ela & Ele

    Ela & Ele Almas Inquietas, tradução de 'Elle et Lui' foi publicado em 1859. Também há outras traduções, brasileira e portuguesa, com o título 'Ela e Ele' que é mais fiel ao original e que, pessoalmente, acho bem melhor do que 'Almas Inquietas', ainda que este título seja fiel à vida emocional das personagens. Este romance trata de um triângulo amoroso entre Teresa, pintora, a protagonista; Lourenço, o pintor que é o tipo, para não dizer estereótipo, do artista romântico e homem de gênio que só consegue produzir em meio a dor e ao sofrimento; e Richard Palmer, um americano rico e culto, o que chamaríamos hoje de um autêntico burguês. Aos olhos contemporâneos, é difícil tanto a qualquer homem identificar-se com Lourenço, cuja personalidade chega a ser piegas de tão infantil, quanto com Teresa, cuja personalidade chega a ser idiota ao tratar os homens com quem se relaciona ora como filho ou irmão mais novo (Lourenço), ora como um pai afetuoso (Palmer). Olha esse trecho: 'O que prendia Teresa a Lourenço era essa imensa piedade, cujo hábito imperioso se contrai com os seres a quem muito se tem perdoado. Parece que o perdão engendra o perdão até à saciedade, até à fraqueza estulta. Quando a mãe chega à conclusão de que o seu filho é incorrigível, nada tem mais a fazer senão abandoná-lo ou aceitar tudo.' (Sand, 1959, p. 167). Maternidade era destino, mesmo na visão de mundo de uma mulher que escandalizava ao usar calças e pseudônimo masculino. Mas eu disse aos 'olhos contemporâneos' - porquanto na época esse livro causou celeumas e foi considerado imoral por tratar de um triângulo amoroso da perspectiva feminina: escritor mulher e narração da perspectiva duma protagonista, algo incomum à época porquanto o tema, relacionamento extraconjugal, era tabu e quando tratado, a perspectiva foi quase sempre do escritor homem. O livro é bem convencional na forma, porém muito bem escrito no conteúdo. A autora sabe passar aos leitores a perspectiva do que cada personagem está sentindo e de suas motivações. É um romance autobiográfico, a partir do relacionamento conturbado e 'escandaloso' que ele teve com Alfred de Musset (1810-1857), um dos maiores poetas da época, entre 1833/34. 'Escandaloso' por ela ser casada, seis anos mais velha do que ele e já na casa dos 30 anos de idade. 30 anos àquela época era o equivalente aos 50 ou 60 anos atuais. Musset também escreveu uma obra - 'As confissões de um filho do século', 1836 - que dizem ser 'autobiográfica' porque também parte das experiências desse relacionamento; mas no seu livro o protagonista é traído por sua amante e, a partir daí, desilude-se com o amor. O livro de George Sand é uma resposta a ele, a versão da protagonista Teresa é a sua versão do relacionamento, já que ela ficou difamada após a publicação da obra de Musset. A personagem Lourenço, um ser atormentado, é a descrição do próprio poeta Alfred Musset. (A psiquiatria do século XXI o classificaria como bipolar.) Mas os escritores românticos, que davam tanta importância à imaginação, muitas vezes escreviam ficção a partir de experiências autobiográficas, e tanto eles como os críticos seus contemporâneos tomavam tais experiências ao pé de letra, esquecendo um dos princípios centrais da literatura: por mais autobiográfica que seja uma escrita, a partir do momento em que você resolveu escrever e compartilhar como literatura, virou ficção. Nesse ponto sempre foram contraditórios. Tanto eles quanto os realistas, os naturalistas e quaisquer defensores do 'romance histórico' custam a entender isso. Vale a leitura dos seus livros no século XXI tanto pela qualidade da escrita da autora, Sand é uma grande frasista, quanto por conhecimento sociológico: seus livros, imorais no século XIX, tornaram-se 'livros para moças' no século XX, traduzidos e publicados por editoras de perfil conservador em coleções como 'romances para moças' ou 'para juventude'. Prova de que o conservadorismo, nas artes, está quase sempre uma geração atrasada.

    7 curtidas

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    Amandine-Aurore-Lucile Dupin

    Escritora francesa, de seu verdadeiro nome Aurore Dupin, baronesa Dudevant (1804-1876), inicia a publicação dos romances passionais Indiana e Valentine (1832) sob o pseudónimo masculino George Sand. Figura controversa da sociedade parisiense, tem uma longa ligação com Chopin e expressa as suas ideias políticas, caracterizadas por um socialismo idealista, em revistas e jornais. Uma nova fase da sua vida, passada no campo, repercute-se nos temas de François le Champi (1847-48) e La Petite Fadette (1849). Em Elle et Lui (1859), romance de cariz autobiográfico, aborda a sua ligação com Musset e inaugura uma fase memorialista (que viria a incluir Rêveries e Souvenirs, 1871-72). A sua Correspondência figura como um documento incontornável para o conhecimento do século XIX e de uma mulher de excepção. Os personagens de George Sand e suas histórias são invariavelmente repletos de ingenuidade, poesia e otimismo. Como dizia a escritora: "O romance não precisa ser necessariamente a representação da realidade."

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    20 Seguidores

    Amandine-Aurore-Lucile Dupin