O título sugere algo pesado, talvez um drama psicológico, algo com impacto real. Mas o que se encontra é aquele tipo de livro que se lê rápido, sem muito esforço — e que até diverte, se você entrar no ritmo da coisa. Como passatempo ou cura de ressaca literária, funciona muito bem. Nisso, é quatro estrelas.
Paul Sherman, o protagonista, é o estereótipo do agente durão, cínico e sarcástico, que resolve tudo com frieza e ironia. Bem no estilo dos heróis de ação dos anos 80. Funciona dentro da proposta? Até funciona. Mas é vazio.
As personagens femininas são, basicamente, figurantes da dor. Vítimas frágeis, úteis apenas para movimentar a trama do protagonista masculino — sem complexidade, sem agência real. Isso envelheceu mal, como quase tudo que parte da ideia de que mulheres estão ali só para motivar o herói.
Não há profundidade em ninguém. Os personagens são cascas: dizem o que precisam para a história andar, sem um segundo de introspecção.
O mais frustrante é que o tema central do livro tinha grande potencial — um enredo que envolve tráfico internacional de drogas, corrupção, violência e mulheres usadas como peças descartáveis. Havia margem para reflexões sobre exploração, abuso de poder, violência de gênero, até mesmo sobre a banalidade do mal. MacLean tinha em mãos um material denso, sombrio e ainda atual, que poderia ter sido explorado de forma crítica, complexa, até psicológica. Em vez disso, escolheu tratá-lo como pano de fundo para mais um thriller de ação.
Bonecas Acorrentadas pode entreter — e dentro do gênero, cumpre sua função. Mas esperar algo além disso é garantia de frustração.