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    O chapéu de três bicos -

    Pedro António de Alarcón

    Ediouro
    1994
    180 páginas
    6h 0m
    ISBN-10: 850061188X
    Português Brasileiro
    3.7
    23 avaliações
    Leram29Lendo2Querem17Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos3Desejados17Avaliaram23

    Uma novela pícara tardia mas fulgurante de Pedro Antonio de Alarcón. A sua história andava pendurada em romances de cordel, recitada em versos de feiras e das praças públicas. Alarcón puxou-a para cima e para a decência, fez correr nela uma metáfora. O êxito foi tanto, que ele simulou um tédio. Tinha-a feito no tempo de uma semana, dizia, e muitas vezes sentiu «desdém pela obra pícara que ninguém impugnava», chegou a escrever.

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    Aguinaldo Medici Severino picture
    Aguinaldo Medici Severino03/03/2011Resenhou um livro
    3 (Bom)

    o chapéu de três bicos

    Há uns dez anos don Renato Cohen, sua princesa consorte à época e eu fomos ao teatro (peça terrível, pois lembro-me que dormi quase o tempo todo, em meio a um mar de gargalhadas, mas esta é outra história). Antes da peça, enquanto estávamos ainda na longa fila para entrar, conversávamos animadamente. Eles contavam sobre os planos para mudar de apartamento, eu histórias de minha recente estada na Espanha e dos livros que havia adquirido por lá. Quando citei haver encontrado uma edição bilíngue muito boa do Lazarillo de Tormes eis que fui corrigido em um detalhe banal - discreta e educadamente, cabe dizer - por um senhor que estava logo atrás de nós na fila. Ele falou com autoridade sobre o Lazarillo e também sobre Cervantes e as cousas da Espanha. Apresentou-se e conversamos um bom tempo. Era don Julio Garcia Morejón e entre outras maravilhas nos disse que havia acabado de traduzir uma história tradicional espanhola chamada "Chapéu de três bicos" e nos enviaria um exemplar caso tivéssemos interesse. Trocamos cartões e eis que após um par de semanas recebi este "O chapéu de três bicos". Lembro-me de ter folheado o livro displicentemente quando o recebi, envolvido com outras coisas como estava. Semanas atrás, ainda no estival início de 2011, o Fernando Landgraf contou-me sobre sua aquisição de um legítimo "chapéu de três pontas", um desejo de juventude. Um gongo ressoou por meus neurônios e não sosseguei enquanto não encontrei meu exemplar do livro presenteado por don Julio nos guardados de minha biblioteca. Li "O chapéu de três bicos" com muita alegria. A edição é bem cuidada, bilíngüe, repleta de notas, com uma boa introdução assinada por Julio Morejon, uma completa bibliografia e uma detalhada cronologia de seu autor, Pedro Antonio de Alarcon. Publicado em 1874 este livro registra uma versão de uma história tradicional, onde se descreve os sucessos do amor alegre e ingênuo - mas forte - entre pessoas simples do campo. Um moleiro andaluz chamado Lucas é casado com uma bela navarra chamada Frasquita. Os homens da região, principalmente os mais poderosos, como o prefeito e o corregedor (uma espécie de magistrado judicial do rei), sempre se fazem presentes no moinho de Lucas durante as tardes de verão, pretensamente por cortesia, mas na verdade por cupidez. Lucas e Frasquita confiam na força de seu amor e gerenciam, com cumplicidade, bom humor e picardia, o assédio que Frasquita sofre. O corregedor imagina uma forma de alcançar o prêmio de uma noite a sós com Frasquita, provocando reviravoltas e confusões incríveis, principalmente associadas a quem, a cada vez, faz uso de um chapéu de três bicos (um chapéu deste tipo era o emblema oficial das autoridades constituídas na época em que se passa a história). Os imbroglios acabam se resolvendo apesar da tensão inicial. Tudo é muito divertido. Trata-se de um texto moralista e ingênuo, claro, mas que conta vividamente algo de um grupo social que ainda hoje pode ser encontrado em grotões (nem tão distantes assim) mundo afora, Brasil afora. Finda a história tudo volta a configuração inicial, inclusive com as eventuais visitas ao moinho nos finais de tarde. E como todo modismo o tempo faz com que o uso do chapéu de três bicos fosse substituído pela moda das cartolas. Mas nesta época Lucas e Frasquita já eram dois velhos, mas dois velhos ainda enamorados. Gostei de ter lido este livro, principalmente por relembrar don Julio Morejon e sua generosidade. Lembrei-me que ele havia nos convidado para visitar a coleção de Quixotes que sua universidade mantinha, coisa que não fiz, ai de mim. Paciência. Neste ano voltarei a ler o Quixote e a lembrar das planícies vazias da Espanha, das cores e das rochas da Mancha. Ya veremos. [início 28/02/2011 - fim 18/03/2011] "O chapéu de três bicos", Pedro Antonio de Alarcón, tradução de Julio Gregório Garcia Morejón e Manoel Dias Martins, São Paulo: editora CenaUm (Centro Universitário Ibero-Americano), 1a. edição (1999), brochura 16x23 cm, 275 págs. ISBN: 85-86356-20-4 [edição original: El sombrero de tres picos (Espanha) 1874]

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    Pedro António Joaquín Melitón de Alarcón profile picture

    Pedro António Joaquín Melitón de Alarcón

    Pedro António Joaquín Melitón de Alarcón nasceu a 10 de Março, de 1833, em Guadix, Espanha. Em 1847 muda-se para Granada para iniciar os seus estudos universitários, mas as dificuldades financeiras da família, levam-no a regressar à sua cidade natal. Embora não tivesse vocação para clérigo, a sua estadia num seminário inicia-o nas lides literárias, levando-o a escrever, entre 1848 e 1849, quatro obras para teatro, que revelaram a sua criatividade e capacidade efabulatória e romântica. Em 1853, decide abandonar a via eclesiástica e rumar para Cádiz, onde virá a dirigir a revista literária El Eco de Occidente, onde incluiu os seus primeiros contos. Em 1853, funda um jornal anticlerical e antimilitarista, que chega a alcançar grande popularidade. Em 1854, encabeça o movimento liberal em Granada, encontrando-se no período mais romântico da sua vida. Em 1859, ingressa voluntariamente no exército e escreve uma série de crónicas sobre cenários de guerra que foram compiladas no livro Diário de um Testigo de La Guerra de Àfrica. Em 1865, casa-se e dez anos mais tarde é eleito membro da Real Academia Espanhola. Um derrame cerebral provoca-lhe a morte, a 19 de Julho de 1891.

    29 Livros
    1 Seguidor

    Pedro António Joaquín Melitón de Alarcón