"Claramente, o mundo tal como o conhecíamos, ou pensávamos conhecer, está saindo dos eixos. Está acelerando a cada dia e, em tempo real, a cada dia ficando menor. As antigas certezas desapareceram. Os velhos remédios não funcionam. As velhas e confiáveis pranchetas permanecem desocupadas ou produzem cópias de antigas plantas, como que num transe sonambúlico. As esperanças parecem só ter abrigo sob as tendas montadas em praças públicas.
Tendas cheias de som e fúria em busca de um significado..."
Este trecho impactante, para mim, traduz toda a essência desse livro. Nesta obra em formato de debate, Bauman discorre sobre questões da nossa sociedade atual, que podem nos parecer simples, mas que estão arraigadas numa complexidade cultural. Através de explanações lúcidas e racionais o autor nos convida a pensar criticamente sobre temas como educação e respeito, felicidade e consumismo, minorias e religiosidade, juventude e cultura das aparências.
Bauman nos aponta que o mundo realmente mudou. Vivemos numa cultura do imediatismo, das aparências e da felicidade flamejante impulsionada, principalmente, pelo consumismo. As relações tendem a ficar cada vez mais rasas e a educação crítica é relegada a segundo plano. A impressão que eu tenho é que mais importante que saber, pensar e questionar/criticar é parecer estar por dentro de tudo um pouco, de forma superficial, para assim bancar o status. Mais importante do que o respeito e afetividade real aos pais e familiares é a foto na rede social. Mais importante do que o café com um amigo é a quantidade de contatos e seguidores virtuais. Mais importante do que SER é TER.
Sim, o mundo mudou. Vivemos em busca da felicidade, mas uma felicidade vazia de significados. Por enquanto, é isso.
(Preciso de uma releitura para compreender melhor os conceitos aqui elencados).