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    Haikus -

    César Aira

    Pipa Livros
    2012
    48 páginas
    1h 36m
    ISBN-13: 9788586488382
    Português Brasileiro
    3.8
    12 avaliações
    Leram5Lendo0Querem5Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados5Avaliaram12

    O título de estreia, a novela Haikus, do argentino César Aira, teve seus 400 exemplares de pouco menos de 50 páginas impressos na tradicional Gráfica Marly, instalada há mais de seis décadas num sobrado ao pé do Morro da Conceição.

    Resenhas (1)Ver mais
    André Foltran picture
    André Foltran23/03/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O mínimo que você precisa saber para não ser um agiota

    Vocês têm um minuto pra ouvir a palavra do César Aira? Haikus, como anuncia o título, é um livro-haikai. (Não confundir com o romance-bonsai de Zambra, cujo método consiste em podar tudo. Haikus, pelo contrário, é todo arestas.) A história é simples: não há história. Um narrador cobra insistentemente um dinheiro devido pelo seu interlocutor, que nunca o paga. Não se sabe exatamente quanto, o valor irrisório com que se compra uma cerveja ou um par de luvas. Um valor que o devedor certamente possui e que não lhe causaria grandes prejuízos pagar, mas que para o narrador é tudo, porque já nada tem, porque, para alguns, "o pequeno é grande e o insignificante é um mundo". César Aira, que sempre preferiu as pequenas editoras, não fez diferente com Haikus, cujos direitos de publicação ainda cedeu gratuitamente ("um presente para meus amigos brasileiros"). O resultado é esse livrinho de 40 páginas, em edição numerada de 400 exemplares (seu número exato de leitores). No gesto de Aira, mais que uma gentileza, está a chave: como poderia cobrar por algo que não lhe pertence? Neste Brasil repleto de homens de bem que se escandalizam com micro ocupações de terras, por ex., afinal isso é coisa de ladrão, de vagabundo -- como se aqueles milhões de hectares pertencessem mesmo a seu único dono, como se aquelas cercas não fossem resultado de um assalto maior e mais antigo, a terça ou quinta parte de uma divisão entre quadrilhas --, uma reflexão como essa é necessária, para dizer o mínimo. Sempre desconfiei dessa gente que tem em alta conta as suas conquistas, como se tudo que possui fosse resultado de um esforço pessoal e não também do trabalho constante da impiedosa roda da fortuna que rege o mundo. Gente que toma de quem tem nada. Gente que acredita que não deve. Essa legião de agiotas que, quando empresta, é a juros altos, é uma corda para o outro se enforcar. E como dormem tranquilos em seus travesseiros da Nasa, esses desgraçados! No fim, estamos todos num semáforo, uns de carro, outros a pé: virar à esquerda, que está repleta mendigos, ou à direita, onde não há humanidade? Pra mim foi sempre muito fácil decidir.

    2 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 12
    • 5 estrelas33%
    • 4 estrelas25%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas8%
    César Aira profile picture

    César Aira

    Nascido em 1949 em Coronel Pringles, uma cidade da província de Buenos Aires, em 1967 César Aira instala-se na porteño bairro de Flores. Ambos são espaços muito presentes em sua escritura. Aira também retorna frequentemente à Argentina do século XIX (por exemplo em A lebre, Um episódio na vida do pintor viajante e Ema, a cativa). Com frequência retorna regularmente a jogar com estereotipos de um exótico Oriente como em Uma novela chinesa, O volante, e O pequeno monge budista. É frequente a utilização de personagens de autor em suas novelas. Tal é o caso de O congresso de literatura, As curas milagrosas do Doutor Aira, Como me fiz freira, Como me ri, O cérebro musical ou Aniversário.

    66 Livros
    11 Seguidores
    Buenos Aires, Argentina

    César Aira