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    Um Operário em Férias - Crônicas

    Cristovão Tezza

    Record
    2013
    230 páginas
    7h 40m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.6
    26 avaliações
    Leram43Lendo0Querem27Relendo0Abandonos1Resenhas2
    Favoritos0Desejados27Avaliaram26

    Organizada por Christian Schwartz e ilustrado por Benett, Um operário em férias abriga cem crônicas de um dos mais importantes autores contemporâneos – Cristovão Tezza. A obra conta com textos sobre literatura, futebol, viagens e temas cotidianos.

    Resenhas (2)Ver mais
    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich14/08/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Saldo positivo para as crônicas de Tezza

    Cristóvão Tezza é um cronista divertido, cheio de sacadas que, vez ou outra, levam inclusive à gargalhada. E isso não é de se estranhar, pois também é assim que ele se apresenta nas tantas feiras do livro e bienais pelo Brasil afora. Nesses encontros, Tezza costuma discutir temas que também estão entre os preferidos de sua coletânea “Um operário de férias”, seu primeiro livro de crônicas, lançado recentemente pela Record. Assim é que a primeira parte do livro é toda dedicada a assuntos que envolvem a atividade de escritor, a literatura, a leitura e a língua. Tezza tem uma visão interessante a respeito, sempre desmistificando a visão de escritores que sabem exatamente o que fazer. E, sem ser saudosista, aproveita para discutir questões contemporâneas, como o suposto fim do papel, os e-books, os blogs, os e-mails. A parte realmente divertida do livro, no entanto, vem a seguir, e corresponde aos temas triviais do cotidiano (aqueles que costumam fazer mais sucesso na crônica), como o ato de lavar louça, o primeiro carro do cronista, as fotografias, a abstinência da internet, entre outros. De maneira leve e auto-irônica, Tezza promove nessa parte os melhores momentos do livro. Também se inclui nessa parte os textos que falam da sua vida como torcedor do Atlético Paranaense, que geralmente estava numa má fase de dar dó no momento da escrita de suas crônicas. Um dos textos mais engraçados é justamente “O Dentista Coxa-Branca”. Na sequência há textos também bem sacados sobre Curitiba e então começa a parte dos textos sérios de Tezza. É preciso dizer que essa estratégia de separar as crônicas em blocos temáticos, coisa que quase todo cronista faz hoje em dia, em geral atrapalha. Sempre há textos que cabem em mais de um bloco, e nem sempre se entende a explicação para cada um, e sempre há o risco do leitor não gostar do tema principal de toda uma fileira de crônicas. Pessoalmente, prefiro as crônicas misturadas. E o bloco com os textos sérios de Tezza é provavelmente o que mais sofre com essa estratégia. São os temas menos afeitos à literatura – muitos envolvem política nacional e internacional. E neles não há também muito espaço para as risadinhas: Tezza é duro e incisivo, embora elegante e preciso. Alguém poderia questionar a inclusão desses textos no livro, julgando-os envelhecidos e excessivamente jornalísticos. Sou da opinião contrária: acho que representam uma das facetas mais importantes da crônica, certamente desprezada pelos críticos literários, mas nem por isso alheia ao gênero. E não deixa de ser agradável discutir a sério com Tezza. Um livro de crônicas é, no fundo, uma grande conversa com alguém cheio de ideias a dizer. O livro termina com uma pequena seção chamada “Ficções”, mas são ficções leves, e ainda bastante apegadas à realidade e mesmo à atualidade. No geral, o saldo do livro é positivo. Tezza é um cronista tardio, mas digno de uma boa leitura. O que é desnecessário no livro são as notas de rodapé explicando esmiuçadamente referências locais de Curitiba e região. É certo que os leitores de outros lugares não saberão o que é Morretes ou Antonina, mas não deixa de ser um pouco provinciano querer que eles não fiquem sem saber. Além de não atrapalhar a leitura, as referências poderiam estimular uma pesquisa àqueles que realmente estejam interessados em desvendá-las. Mas vale, vale a leitura sim. Temos tidos bons livros de crônicas lançados nos últimos meses. E nomes que vieram do romance estão sabendo se virar no gênero.

    2 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.6 / 26
    • 5 estrelas27%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas19%
    • 2 estrelas23%
    • 1 estrelas0%
    Cristovão Tezza profile picture

    Cristovão Tezza

    Embora tenha nascido em Lages, Cristovão Tezza mudou-se para Curitiba, no Paraná, com dez anos de idade. Esta cidade é cenário de boa parte de sua literatura, em que personagens visitam ruas e pontos turísticos. Tezza fez teatro, foi da marinha mercante, trabalhador ilegal na Europa e ainda relojoeiro. Já era escritor bem jovem: aos treze anos criou seu primeiro livro, designado por ele mesmo como “muito ruim”. Publicou dez romances. Uma das marcas de seu texto é a presença de mais de um narrador: em "Trapo", por exemplo, vemos a história do ponto de vista do professor Manoel, que estuda o poeta Trapo, e paralelamente do ponto de vista do poeta, através de seus poemas. Em 2003, Tezza publicou um ensaio sobre Mikhail Bakhtin, que era, na verdade, sua tese de doutorado. Doutor em Literatura Brasileira, Tezza é professor de Linguística na Universidade Federal do Paraná. Em algumas declarações ele afirma que “só uns quatro ou cinco escritores brasileiros poderiam viver só dos livros”, e por esse motivo é professor. Ganhou o prêmio da Academia Brasileira de Letras de melhor romance brasileiro de 2004, pelo seu livro “O fotógrafo”. Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.

    47 Livros
    127 Seguidores
    Santa Catarina, Brasil

    Cristovão Tezza