Este trabalho se configura uma ótima introdução ao estudo teórico da cenografia porque resume as principais obras publicadas da área de forma simples e didática, apresentando um panorama sobre os diversos campos das artes que são ferramentas ou espaços para a cenografia. Considerando-se que a bibliografia sobre o assunto é escassa em português do Brasil, aumenta a importância deste material.
Um ponto fraco da dissertação é o foco sobre os encenadores contemporâneos sem conceituar a relação entre estes e os cenógrafos. Para os leitores não familiarizados com a rotina do teatro, pode haver mal-entendidos danosos acerca desta relação. Ao mencionar estes encenadores, omite-se a participação dos cenógrafos no projeto do espetáculo. Provavelmente isto se deve à falta de registros, poucos cenógrafos escrevem suas reflexões e práticas; muitos deles são artistas do desenho e não lhes atrai registrar em texto sua produção. Assim, como o diretor/encenador possui mais visibilidade, também por conta de sua importância no todo do espetáculo, é mais seguro remeter à sua produção e o tratar como líder de uma equipe oculta.
Ao mesmo tempo, o foco sobre os encenadores e o todo do espetáculo gera um bom material para aqueles que pensam o espetáculo ou nele trabalham fora do âmbito da cenografia: diretores, técnicos de som, iluminadores, produtores... têm informações valiosas sobre a importância da cenografia e sobre como se relacionar com ela.