Trata-se de um admirável trabalho investigar a vida do outsider Bukowski e saber o quanto havia de autobiográfico em seus livros, o quanto era exagero e o quanto era pura invenção (seja boa ou má). Com muitas fontes de pesquisa, depoimentos preciosos, ótimas fotos e um índice remissivo exemplar me faz pensar que toda biografia deveria ter a obrigação de seguir "Charles Bukowski: Vida e Loucuras de um Velho Safado" como modelo.
Dito isso, vamos ao biografado. Bukowski foi o primeiro escritor a me fazer procurar por tudo que tivesse seu nome na capa. Justo quando a maioria das suas obras encontrava-se fora de catálogo. "Hollywood" foi o primeiro romance que li e reli na vida. Seus contos me inspiraram a cometer bobagens literárias, já que não me levaram a viver bukowskianamente. Porém, ler esta biografia me fez olhar para sua obra com cada vez menos interesse. A ponto de, hoje, o mercado editorial ter lançado e relançado muitos livros seus, a maioria facilmente encontráveis, e eu não querer nenhum deles. Desfiz-me dos que eu tinha, até mesmo de "Pulp", que considero seu trabalho mais bem acabado, além de ser o último que lançou. Esta biografia foi a pá de cal numa paixão literária que me trouxe muita satisfação e, ao mesmo tempo, me afastou de outros prazeres literários. Prazeres que, embora mais complexos e sutis, não me causaram, salvo raras exceções, aquele mesmo frêmito de um moleque de quatorze anos a descobrir a literatura.
Recomendo este livro com gosto e com cautela. Quem gosta de Bukoswski e ainda não leu sua biografia poderá não manter o mesmo gosto após fazê-lo.