A Morte de Ivan Ilitch e Senhores e Servos (Universidade de Bolso) -

    Lev Tolstói

    Ediouro
    2000
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-10: 8500116102
    Português Brasileiro

    Em agosto de 1883, duas semanas antes de falecer, o escritor russo Ivan Turguêniev escreveu a Tolstói: "Faz muito tempo que não lhe escrevo porque tenho estado e estou, literalmente, em meu leito de morte. Na realidade, escrevo apenas para lhe dizer que me sinto muito feliz por ter sido seu contemporâneo, e também para expressar-lhe minha última e mais sincera súplica. Meu amigo, volte para a literatura!". O pedido de Turguêniev alude ao fato de que Tolstói havia então abandonado a arte e renegado toda sua obra pregressa para se dedicar à vida espiritual. Embora não se possa dizer com certeza em que medida as palavras de Turguêniev repercutiram em Tolstói, é certo que A morte de Ivan Ilitch, publicada em 1886, foi a primeira obra literária que ele escreveu após seu retorno às letras — e que se trata de um dos textos mais impressionantes de todos os tempos. Considerada por Nabokov uma das obras máximas da literatura russa — e por muitos uma das mais perfeitas novelas já escritas —, A morte de Ivan Ilitch ganha agora nova edição em língua portuguesa, com tradução e posfácio de Boris Schnaiderman, e, em apêndice, texto de Paulo Rónai sobre o autor e sua obra.

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    Beatriz Caetano picture
    Beatriz Caetano16/03/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Ensaios sobre a morte em um convite à vida

    Empaquei com Anna Kariênina e resolvi ler esses contos até retomar o outro enorme livro. Tolstói consegue tratar da questão da morte como poucos, ambos contos trazem esse assunto. A leitura flui muito bem e, diferentemente do que o senso comum acha, a linguagem do Tolstói não só é fácil como prende o leitor em cada página. Ambos contos nos fazem refletir sobre o tipo de vida que a sociedade nos influencia a viver e, no fim, não é à toa que toda ela teme à morte. Desperdiçamos toda a vida com coisas inúteis e no final nos lamentamos por ter acabado nosso tempo aqui. Se nos fosse dado mais tempo, no entanto, continuaríamos desperdiçando-a com as mesmas coisas inúteis. O súbito de lucidez dos personagens quanto à isso nos contagia, tal como eles, o leitor tem a oportunidade de enxergar sua vida de forma diferente e, quem sabe, viver.

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