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    Para Entender O Capital - Livro I

    David Harvey

    Boitempo
    2013
    335 páginas
    11h 10m
    ISBN-13: 9788575593226
    Português Brasileiro
    4.4
    69 avaliações
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    Fruto dos mais de quarenta anos de cursos sobre O capital de Marx (livro I) lecionados pelo geógrafo marxista David Harvey em universidades ao redor do mundo, Para Entender O Capital é uma obra ao mesmo tempo sintética e densa, uma introdução para a compreensão de O Capital, que chega em momento oportuno, de uma renovação do interesse pela análise das obras de Marx, em busca de um melhor entendimento das origens da falência econômica e dos nossos problemas atuais. Apesar de os últimos trinta anos, mais particularmente desde a queda do muro de Berlim e do fim da Guerra Fria, não terem sido um período muito favorável ou fértil para a economia política marxiana, este livro ajuda a abrir a porta para que uma geração mais jovem, pouco familiarizada com esse pensamento, explore por sua própria conta o legado de Marx. “O que vejo é que aqueles que hoje desejam ler Marx estão muito mais interessados em engajamentos práticos; isso não significa que tenham medo de abstrações, mas que consideram o academicismo tedioso e irrelevante. Há muitos estudantes e ativistas que desejam anseiam por uma forte base teórica para melhor apreender, de modo a situar e contextualizar seus próprios interesses e seu agir político”, diz Harvey na apresentação. O economista Marcio Pochmann acerta ao comentar o livro no texto de orelha: “O trabalho disciplinado, incansável e pertinente do consagrado geógrafo David Harvey sobre o primeiro volume de O Capital se torna, em sua leitura fácil e esclarecedora, um guia para entender e desenvolver a necessária contribuição da economia política de Karl Marx”. Para Entender O Capital é para Harvey realmente um “guia” (mais do que uma introdução ou interpretação), que tem a pretensão de orientar uma primeira exploração da economia política de Marx a todos que desejam trilhar esse caminho. O geógrafo britânico encoraja o encontro pessoal do leitor com o texto de Marx para que, da luta direta com ele, possa começar a formar uma compreensão própria do pensamento marxiano. Ele ainda defende que é preciso deixar de lado preconceitos e um mundo de conotações, favoráveis ou não, que acompanham termos como “marxismo” e “marxista”, pois só assim o leitor poderá captar o que Marx realmente tem a dizer. Harvey também aconselha àqueles que tenham lido apenas excertos ou resumos d’O Capital – não importa quão estrategicamente escolhidos – ou alguma exposição teórica das crenças políticas de Marx, a ler o livro como um texto integral. “Lendo O Capital como um todo, é quase certo que você chegará a uma concepção bastante diferente do pensamento de Marx”, afirma. O Livro I de O capital analisa o modo de produção capitalista do ponto de vista da produção, não do mercado nem do comércio global, mas exclusivamente da produção. Na época, Marx revelou uma grande compreensão daquilo que faz o capitalismo crescer do modo como cresce. “Para Marx, um conhecimento novo surge do ato de tomar blocos conceituais radicalmente diferentes, friccioná‑los uns contra os outros e fazer arder o fogo revolucionário. E é o que ele faz n’O Capital: combina tradições intelectuais divergentes para criar uma estrutura completamente nova e revolucionária para o conhecimento”, conclui o professor. Trecho da apresentação “Durante os mais de trinta anos de contato que tive com esse texto, aconteceram muitas mudanças geográficas, históricas e sociais. Na verdade, uma das razões por que gosto de ensinar O Capital todo ano é que sempre tenho de perguntar a mim mesmo como ele será lido, quais questões que antes passavam despercebidas chamarão minha atenção. Volto a Marx menos em busca de um guia do que de potenciais insights teóricos sobre mudanças geográficas, históricas e populacionais. É claro que, nesse processo, minha compreensão do texto mudou. Na medida em que o clima histórico e intelectual nos coloca diante de questões e perigos aparentemente sem precedentes, o modo como lemos O Capital também tem de mudar e se adaptar”. Sobre o autor David Harvey é um dos marxistas mais influentes da atualidade, reconhecido internacionalmente por seu trabalho de vanguarda na análise geográfica das dinâmicas do capital. É professor de antropologia da pós-graduação da Universidade da Cidade de Nova York (The City University of New York – Cuny) na qual leciona desde 2001. Foi também professor de geografia nas universidades Johns Hopkins e Oxford. Sua obra foi apontada pelo Independent como uma das mais importantes de não-ficção publicadas desde a Segunda Guerra Mundial. Dele, a Boitempo publicou O Enigma do Capital (2011) e publicará, ainda este ano, Os Limites do Capital.

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    Doney Corteletti Stinguel12/07/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Lista de Livros: Para entender O Capital (Livro I), de David Harvey

    Parte I: “A missão de Marx n’O capital, porém, é conceber uma ciência para além do fetichismo imediato, sem negar sua realidade. Ele lançou as bases para isso na crítica da economia política burguesa. Também mostrou a que ponto somos governados pelas forças abstratas do mercado naquilo que fazemos e como estamos constantemente ameaçados de ser governados por construtos fetichistas, que nos impedem de ver o que está acontecendo. Até que ponto você pode dizer que vive numa sociedade livre, caracterizada pela verdadeira liberdade individual? As ilusões de uma ordem liberal utópica, na visão de Marx, têm de ser desmascaradas como aquilo que são: uma réplica daquele fetichismo que perverte as relações sociais entre pessoas, transformando-as em relações materiais entre pessoas e relações sociais entre coisas.” * Mais do blog Lista de Livros em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2021/05/para-entender-o-capital-livro-i-parte-i.html XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte II: “Há uma distinção crucial entre o que o trabalho recebe e o que o trabalho cria. O mais-valor resulta da diferença entre o valor que o trabalho incorpora nas mercadorias numa jornada de trabalho e o valor que o trabalhador recebe por entregar ao capitalista a força de trabalho como uma mercadoria. Em suma, paga-se aos trabalhadores o valor da força de trabalho, e ponto final. O capitalista os coloca para trabalhar de modo que não só reproduzam o valor de sua própria força de trabalho, mas também produzam o mais-valor. Para o capitalista, o valor de uso da força de trabalho está no fato de ela ser uma mercadoria que pode produzir valor e, consequentemente, mais-valor.” * Mais em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2021/05/para-entender-o-capital-livro-i-parte.html XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte III: “É espantoso com que frequência “a propriedade, a religião, a família e a sociedade” são repetidas como um mantra ideológico para proteger a ordem burguesa estabelecida.” * “Os capitalistas amam a organização planejada da produção em suas fábricas, mas abominam a ideia de qualquer tipo de planejamento social da produção na sociedade. A acusação ideológica de que o planejamento é nocivo e, em particular, a crítica dos capitalistas de que ele reformularia o mundo à imagem de suas terríveis fábricas é reveladora. A condenação do planejamento não se confunde com o que acontece na Toyota ou no Walmart. Empresas de sucesso empregam técnicas sofisticadas de gerenciamento de qualidade total, análises de input-output, planejamento e design de otimização, prevendo tudo até em seus mínimos detalhes. Para Marx, porém, uma coisa é denunciar a hipocrisia dos capitalistas em relação ao planejamento no terreno social e outra bem diferente é sugerir que suas técnicas indubitavelmente sofisticadas, aplicadas para obtenção do mais-valor relativo, possam ser apropriadas para o planejamento de uma sociedade socialista, cuja finalidade é o aumento do bem-estar material de todos. Em suma, seria razoável transformar o mundo numa economia com planejamento centralizado ou numa grande fábrica para chegar ao socialismo? Obviamente, haveria problemas, se considerarmos a descrição que Marx faz das terríveis condições de trabalho nas fábricas. Mas se o problema não está nas técnicas em si, mas no fato de que são usadas para obter mais-valor relativo para o capitalista, e não para produzir artigos voltados para a satisfação das necessidades de todos, então a defesa de Lenin do sistema fordista de produção como um objetivo para a indústria soviética torna-se mais compreensível.” * Mais em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2021/05/para-entender-o-capital-livro-i-parte_14.html XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte IV: “Mesmo que as concepções mentais não possam mudar o mundo, as ideias são, como observou o próprio Marx, uma força material na história. Ele escreveu O capital para nos equipar melhor para travar essa luta. Mas aqui também não existe caminho fácil, tampouco uma “estrada real para a ciência”. Como Bertolt Brecht escreveu certa vez: Muitas coisas são necessárias para mudar o mundo: Raiva e tenacidade. Ciência e indignação, A iniciativa rápida, a longa reflexão, A fria paciência e a infinita perseverança, A compreensão do caso particular e a compreensão do conjunto: Somente as lições da realidade podem nos ensinar a transformar a realidade.” * Mais do blog Lista de Livros em:

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    David Harvey

    Geógrafo e professor britânico, um dos marxistas mais influentes da atualidade, reconhecido internacionalmente por seu trabalho de vanguarda na análise geográfica das dinâmicas do capital, recebeu o Prêmio Vautrin Lud, o Nobel da Geografia, em 1995.

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    David Harvey