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    Frango com ameixas -

    Marjane Satrapi

    Companhia das Letras
    2008
    88 páginas
    2h 56m
    ISBN-10: 8535912177
    Português Brasileiro
    4.2
    914 avaliações
    Leram1411Lendo8Querem625Relendo1Abandonos1Resenhas58
    Favoritos126Desejados625Avaliaram914

    Neste livro, a premiada autora de Persépolis faz uma defesa radical da criação artística através de um episódio da vida de seu tio. Frango com ameixas pertence ao mesmo ciclo autobiográfico que consagrou a iraniana Marjane Satrapi como um dos maiores nomes dos quadrinhos da atualidade. Se em Persépolis Marjane Satrapi empreendeu um relato autobiográfico, em Frango com ameixas não é sua própria vida que está em foco, mas a de seu tio. Artista como ela, Nasser Ali começa a narrativa com uma tragédia pessoal: durante uma briga, sua mulher destruiu o antigo e precioso tar (um instrumento de cordas da tradição persa) que o celebrizara como um dos maiores músicos do país. Nasser Ali sai em busca de um novo instrumento, mas parece impossível encontrar um que tenha o som tão perfeito como o que ele herdara na juventude, durante seus anos de formação. A procura pelo tar o leva a conflitos com a família, com os amigos e com sua própria identidade de artista - é como se ela tivesse se rompido junto com o instrumento. Começam a vir à tona, então, as escolhas que ele poderia ter feito e as consequências das escolhas que fez, como a de se casar com a mulher que viria a destruir o seu maior bem. A narrativa traz as grandes marcas que fizeram a fama de Persépolis correr mundo: a combinação da simplicidade dos desenhos com uma notável capacidade para contar histórias, em que um humor peculiar, o misticismo persa, as complicadas relações com a cultura ocidental e a singularidade da família de Marjane. O que pode parecer uma história bastante específica se mostra universal. Sobreposta à biografia de Marjane - uma artista que só encontrou seu meio de expressão ao enfrentar os conflitos políticos e culturais de seu país -, a história pode ser lida como um belo manifesto pela liberdade de criação artística e pela arte como sinônimo máximo da individualidade. O tom predominante, marcadamente triste, não impede que o humor se infiltre, o que nos dá prova de que Marjane Satrapi está entre as grandes contadoras de histórias dos nossos dias.

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    Resenhas (58)Ver mais
    Ivan Picchi picture
    Ivan Picchi18/08/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um sucinto bem comovente

    Marjane compartilha uma história concisa de seu falecido tio, um músico famoso e virtuoso, que entra em desgraça por ter seu bem mais precioso destruido... Mas será que realmente é culpa de seu tar? ou foi só o estopim? Parece apenas mais uma vida comum; porém os flashbacks sagazmente salpicados colaboram para uma compreensão da real trágica saga de Nasser Ali. E junta o que a vida costuma separar, os fatos. Entre o que ele enxerga e o que realmente acontece. O que realmente está ruim em sua vida, e durante toda ela. É o que um ser humano costuma fazer: desenvolver um ponto de vista no qual ele seja vitimado. Um no qual o seu "tar" seja destruido, sem motivo nenhum aparente. Não esquecendo que a culpa de tudo, desde o início, seja descontada nas últimas pessoas que surgirem em sua vida. Tudo, frustações e suas raivas, tudo é culpa destas últimas. Até que é bem comum ouvir uma destas por ai, não é? Marjane nos faz refletir, e se comover, em uma leitura de uma ou duas horas, com uma história tão simples, curta e pessoal. Incrível como uma situação real e corriqueira fica tão atraente e reflexiva, só porque alguém descobriu que o segredo "é o jeito que se conta". Um ponto de vista de um espectador, que não faz questão de rotular vilões, heróis e injustiçados..

    14 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 914
    • 5 estrelas42%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas0%
    Marjane Satrapi profile picture

    Marjane Satrapi

    Marjane Satrapi nasceu em Rasht no Irã em 22 de novembro de 1969. Quando tinha nove anos, testemunha a queda do Xá, o início da Revolução Islâmica e a guerra com Iraque, sofrendo com as grandes transformações de costumes e relações sociais do Irã. Com a ditadura religiosa imposta no Irã, Marjane vai à Viena, onde mora durante quatro anos e depois retorna ao Irã, onde cursa artes plásticas na Universidade de Teerã e retorna à Europa, morando em Paris aonde trabalha como artista plástica. Em 200o começa a publicar Persepolis, uma série de quatro livros de história em quadrinhos, autobiográficos, narrando desde a sua infância, a história, os costumes, as relações familiares e sociais no Irã no período de 1978 até os anos 90. Além da história de seu país, Marji nos conta a história que muitas crianças e jovens viveram nos anos 80 e 90, com toda a busca por liberdade e os gostos culturais desta época. Devido ao grande sucesso, Persepolis, foi traduzido em vinte línguas e adaptado para o cinema, com a própria Marjane Satrapi na direção com o apoio do francês Vincent Paronnaud. No Brasil, os quatros livros que compõem Persépolis foram pulicados em um único volume pela editora Companhia das Letras.

    37 Livros
    443 Seguidores

    Marjane Satrapi