Esse é o primeiro volume de dois de A Leste do Éden. Aqui, acompanhamos o nascimento e desenvolvimento de Adam e Charles Trask, a família do patriarca Samuel Hamilton (o qual é avô do autor) e de Cathy Ames.
Os personagens possuem backgrounds completamente diferentes. Os irmãos Trasks eram filhos de um violento e influente militar, orgulhoso de sua trajetória que é toda inventada. Toda sua autoridade vem de suas experiências fictícias, mas que não são jamais contestadas enquanto galga a hierarquia do exército; e com base em seu poder cria seus dois filhos com punhos de ferro. Cria, assim, dois filhos: um “fraco”, Adam, e o outro com sinais de psicopatia, Charles.
Samuel Hamilton é um imigrante irlandês que se instala em terras áridas devolutas do governo federal e que nada produzem. Sua sobrevivência e de sua família com 09 filhos nessa terra vem toda de seu trabalho escavando poços para outros e com invenções inteligentes, mas que nunca lhe rendem o suficiente para ficar rico.
E Cathy Ames é o que o autor descreve como monstro. Uma mulher capaz de tudo para atingir o que quer e que, até o final desse primeiro volume, ainda não está esclarecido o que seria.
Essa obra é uma epopeia do individualismo por ser um elogio as capacidades pessoais de cada um para se reinventar, desenvolver, trabalhar e sentir. Até mesmo Cathy eu poderia dizer que, em que pese seja retratada como má, ainda assim é uma das personagens mais admiráveis por ser tão implacável no seu caminho.
Até o momento meu personagem favorito é Lee, filho de um imigrante chinês que hoje não é nem americano e nem chinês, sendo forçado a se adaptar a múltiplas facetas conforme quem está presente para se fazer ser ouvido, um claro sinal de adaptabilidade e inteligência.
A obra tem também uma forte metáfora sobre o antigo testamento bíblico, olhos e mentes mais acostumados com essa trama serão mais eficazes que eu a identificar.
Uma ótima obra, recomendo para quem aprecie obras de época e aprecie um bom desenvolvimento de personagens.