A idéia de escrever contos instantâneos nasceu de discussões a respeito da economia de recursos. Se eu pudesse definir em uma frase diria que foram inspirados na velha fórmula: “Less is more and more is less”. Eu imaginava que as histórias já haviam sido contadas por vezes a fio. Contar histórias seria apenas recontá-las. Assim, pensei que se pudesse recortar um fragmento de uma história qualquer, estaria dando a deixa para que o leitor pudesse desencadear as histórias que compunham seu universo mental a ponto de suscitar muitos desenvolvimentos possíveis. Uma obra de arte é sempre o desenvolvimento de um embrião de idéia e é em si mesma um embrião. Um conto instantâneo, sob esse ponto de vista, é uma isca ou uma faísca. Um impulso que desencadeia um processo. É, como em qualquer arte, um ato inacabado, mesmo quando o artista reforma e retoca insistentemente sua criações. O paradoxo aparente é que: em um conto instantâneo, o que há de mais inacabado é justamente aquilo que exigiu mais esforços de acabamento, de burilamento. Sempre foi preciso muito trabalho para se produzir alguma idéia ou obra inacabadas. Esse é o ponto nos contos instantâneos. Um devir tanto material quanto de significados.
Contos Instantâneos -
Jorge Abrantes
Composer
2010
151 páginas
5h 2m
ISBN-13: 9788598616643
Português Brasileiro
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