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    Mudança -

    Mo Yan

    Cosac Naify
    2013
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788540503670
    Português Brasileiro
    3.6
    621 avaliações
    Leram899Lendo13Querem467Relendo0Abandonos3Resenhas66
    Favoritos22Desejados467Avaliaram621

    'Mudança' é um livro de memórias. Contudo, além de contar a história de sua vida com muito humor e lucidez, Mo Yan se propõe também a descortinar as mudanças ocorridas na China durante a segunda metade do século XX. Entremeando as histórias de dois colegas de escola, Lu Wenli e He Zhiwu, com a sua própria, Mo Yan cria um retrato muito particular, porém representativo, da vida na China. He Zhiwu é apaixonado por Lu Wenli desde os dias de escola, quando o relato se inicia. Nessa parte, Mo Yan se diverte ao descrever cenas de sala de aula que revelam os costumes e regras de uma escola rural chinesa. À medida que acompanhamos as trajetórias desses dois personagens, vemos Lu Wenli seguir um caminho convencional, embora com viradas inesperadas. Já a vida de He Zhiwu segue uma trejetória surpreendente, e ele investe numa tentativa de conquistar Lu Wenli. Enquanto isso, Mo Yan procura um jeito de escapar da pobreza e construir uma carreira - sem saber exatamente qual será. Mo Yan é, na verdade, o pseudônimo de Guan Moye, e quer dizer algo como "cale-se". O escritor nasceu em 1955 numa família de camponeses da província de Shandong. Aos doze anos, deixou a escola e começou a trabalhar. Anos depois, completou sua educação no exército, onde se alistou depois do fim da Revolução Cultural, em 1976. Enquanto servia, trabalhou como bibliotecário e professor. De 1984 a 1986, estudou literatura no Instituto de Artes do Exército de Libertação Popular. Em 1988, foi aceito no mestrado de literatura do Instituto Literário Lu Xun, em Pequim. Seu primeiro livro foi publicado em 1981, mas o êxito como escritor veio apenas em 1987, com Sorgo vermelho, romance que se tornou sucesso internacional ao ser filmado pelo diretor Zhang Yimou. O filme tem a participação de outro personagem central à trama de Mudança; o caminhão soviético Gaz 51. Retratado na capa desta edição, ele é objeto da admiração dos amigos de infância de Mo Yan. Em 2012, se tornou o primeiro cidadão chinês a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Na apresentação do prêmio, a academia sueca o descreveu como um escritor que "com um realismo alucinatório, mistura lendas folclóricas, história e o mundo contemporâneo". Entre os autores ocidentais, Mo Yan tem grande admiração por Gabriel García Márquez e William Faulkner. Diferentemente do resto da obra do Nobel chinês, Mudança difere por não beber na fonte do realismo fantástico. Como diz o escritor alemão Martin Walser, "nenhum outro autor (...) explica tanto da história numa trama contemporânea". Com seu tom prosaico e despretensioso, traduzido com grande competência por Amilton Reis, o autor constrói uma trama perfeitamente amarrada e mostra seu apreço por uma linguagem inusitada e pelas surpresas da vida.

    Resenhas (66)Ver mais
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    mpettrus26/01/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Vida é o Cúmulo do Absurdo

    “[...] a vida é cheia de mudanças, o acaso é que ata as pontas do destino. Tudo se encaixa de maneira estranha, bizarra mesmo, ninguém é capaz de prever as coisas.” ​“Mudança” é um romance autobiográfico escrito pelas mãos de Mo Yan, laureado pelo Nobel de Literatura. Compreendo agora o porquê da premiação. Bastam algumas páginas lidas para saber que ele é um verdadeiro escritor. O livro está mais próximo de uma biografia imaginária, onde o romance se mistura com a novela e a realidade com a imaginação. ​ A história de vida bastante comum do autor, resumida em pouco mais de cem páginas, não oferece nada de especial ao leitor. Entretanto, algumas passagens escritas de forma interessante não passam despercebidas. E é aqui que entra o ponto central do livro: a narrativa envolvente de Mo Yan. ​O autor fala sobre sua vida e dá uma visão da China comunista, mostrando muito da visão dos camponeses chineses do vilarejo em que morava na era pós Mao Tsé-Tung, nos revelando em flashbacks como era a situação de vida do povoado em que nasceu e os pensamentos simplórios que todos daquela região tinham como ‘objetivo de vida’. ​A mudança da China comunista pós Mao é representada aqui na narrativa do autor através da chegada de fábricas e lojas estrangeiras que tomaram rapidamente todo o país, a importância e o fascínio que o caminhão soviético Gaz 51 (quase uma personagem central da narrativa) exercia sobre todo o vilarejo e que com o passar dos anos tornou-se um veículo velho e esquecido, fazendo um contraponto poderoso, porém, sutil, entre a era comunista e a era capitalista. ​ Desde a sua juventude, o autor passou por cargos em empresas estatais e depois no exército, onde quase acidentalmente fez carreira, e até recebeu honras acadêmicas em Pequim, antes da fama mundial. Percebo que o governo e o exército ajudaram muito o escritor a crescer na vida numa época em que o país estava cercado por convulsões políticas e econômicas. ​ Compreendo o porquê do autor não ‘detonar ‘o governo por sentir que seria hipócrita de sua parte em fazer isso. Contudo, ele não deixa de fazer as suas críticas falando sobre a corrupção que existe no país e o alto nepotismo que por lá ocorre. O final da história conta um episódio com uma amplitude perturbadoramente incrível que até agora não entendi o quê o autor quis me revelar com isso. ​ O romance curto é divertido, mas esse aqui é denso. Ficou-me a impressão de que li uma história pela metade, que ora flui como água, ora desliza como óleo. Mas reconheço que a escrita de Yan é impecável. Reconheço que ele conseguiu em tão poucas linhas de maneira extraordinária e quase catártica, colocar o resumo de que a vida, ah a vida, é o cúmulo do absurdo. ​E a sua maneira de narrar uma história é cativante. Parece meu pai quando me conta as suas histórias da infância e antes de conhecer mamãe, daquele seu jeito simples e acessível, nunca perdendo a objetividade e sempre fazendo ótimas metáforas, usando expressões antigas e ditos populares que eu sequer sabia existir. ​ As conversas com meu pai são sempre interessantes. Passamos horas a fio conversando, por vezes, ele se desculpa por ser tão prolixo dizendo-me que as lembranças embaralhadas lhe confundem a cabeça. Mas, eu lhe respondo ‘tudo bem, pai. Continue, por favor’. ​E, tal qual Mo Yan, ainda que seja uma história contada pela metade, no meu mundo, papai já ganhou o prêmio Nobel de Literatura, porque suas histórias sempre me tocam, me fascinam e me resgatam da furiosa realidade que cerceia diariamente minha imaginação. ​ E, foi exatamente isso que esse curto romance de Yan fez comigo: brincou com a minha imaginação sem, contudo, deixar de me provocar reflexões e questionamentos sobre o mundo em que viveu e que ainda existe, mesmo que seja do outro lado do planeta terra. ⏳📚👨🏽‍🏫💅🏽☕️📖🤓🕰⌛️

    119 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.6 / 621
    • 5 estrelas13%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas41%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas1%
    Guan Moye profile picture

    Guan Moye

    Guan Moye é um escritor chinês, mais conhecido pelo pseudônimo de Mo Yan, que significa "Não fale". É descrito como "um dos mais famosos, banidos e largamente pirateados escritores chineses". Foi laureado com o Nobel de Literatura em 2012," que com realismo alucinatório funde contos populares, história e contemporaneidade".

    11 Livros
    27 Seguidores
    Shandong, Chinês

    Guan Moye