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    Revolução e Contra-Revolução na Alemanha -

    Leon Trotsky

    Livraria Editora Ciências Humanas
    1979
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.5
    11 avaliações
    Leram33Lendo12Querem86Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados86Avaliaram11
    Resenhas (1)Ver mais
    gabriel picture
    gabriel17/03/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma aula de política

    Gostei desse livro, ele tem muitas informações interessantes sobre o período histórico que retrata, o único problema é que ele perturba um pouco por conta do assunto (o nazismo), ficar lendo toda hora "Hitler isso, Hitler aquilo", deixa você com uma vibe meio ruim. Mesmo assim é um tema interessante e seu autor tem uma forma própria de ver o assunto, que independente de sua afiliação política, vale conferir. Lendo este texto, fico me perguntando se alguém já faz alguma relação entre Trotsky e Maquiavel (ou, pelo menos, entre Marx e Maquiavel). Alguém já deve ter escrito alguma coisa sobre o assunto, eu desconheço. A academia às vezes implica um pouco com essas comparações de longo alcance, de toda maneira lembrou um pouco o pensador italiano (e bastante injustiçado, aliás) na maneira fria e implacável com que vê o assunto. E, neste sentido, é uma bela contribuição ao raciocínio político. É recomendável ao leitor, principalmente ao que se inicia nas leituras políticas, que não entre naquela confusão esquerdista das diversas facções (sejam marxistas ou não), como por exemplo, trotskistas (e suas inúmeras variações), stalinistas, morenistas e sabe-se lá mais o quê. O que não falta são subgrupos na esquerda, e acredito que se apegar a isso é muito pouco produtivo. Melhor ouvir o que o autor tem a dizer e entrar no "espírito" do seu texto. Aqui, Trotsky apresenta alguns pontos relativos à ascensão do nazismo na Alemanha (sendo, este, uma modalidade do fascismo; por isso, o autor se refere mais a ele por este termo e não pelo outro). A sua tese principal é a de que toda a esquerda alemã (principalmente os comunistas) deveria se unir à social-democracia (naquele momento, o maior grupo na esquerda alemã) e formar uma frente única contra o nazismo. Isto, no entanto, foi impedido pelas direções dos partidos, que, aliados à Stalin, eram contra a formação desta frente única. O livro, então, adquire duas dimensões: uma histórica e outra mais propriamente política. A histórica é este relato, o qual já sabemos o fim, da ascensão do nazismo, e aqui temos um relato privilegiado, de um brilhante analista político. Apesar de ele não estar "in loco" (naquele momento, Trotsky estava em exílio na Turquia), é um texto contemporâneo ao assunto, e o autor como poucos estava atento a todos os movimentos e variáveis. É, então, uma oportunidade ótima de entender aquilo que estava acontecendo, na Alemanha, nas vésperas da chegada de Hitler ao poder (a maior parte dos textos são de 1932, um ano antes de o bigodinho se tornar chanceler). A dimensão política é um pouco mais geral, e fica um pouco nas entrelinhas do texto. Podemos, ao "respirar" o ambiente dele, entender como o seu autor entende a política. Análise marxista puro-sangue, nela não são comportados nenhum sentimentalismo ou moral. A política é entendida como máquina implacável, relação de classes que deve ser cuidadosamente medida. Em nenhum momento, veremos alguma frase que diz que o fascismo é "mau" (como, por exemplo, analisaria uma Hannah Arendt da vida). Trotsky não perde tempo com isso e faz uma análise funcional: o fascismo é o que é porque serve a uma determinada função. Manifestação de uma pequena burguesia ressentida, serve para eliminar a classe operária num momento de grande crise. Esta é a caracterização trotskista, em linhas gerais. O livro é, no entanto, muito trabalhoso, e requer algumas pesquisas extras para ser devidamente compreendido. São muitas menções a fatos e personagens da época, principalmente a políticos alemães da época. Dá pra quebrar o galho com um rápido google, e quando você entende que a maioria deles são os chefes da social-democracia alemã (ou do partido comunista da época, stalinista), fica mais fácil de entender. Quase todos são personagens dos quais o autor discorda, então no fundo dá na mesma. A minha edição, no entanto, é muito pobre nestas explicações, e elas seriam bastante úteis no caso, para uma melhor fluidez de leitura. É um livro muito exigente neste sentido e requer que você faça outras leituras. Mas, para ser justo, não peguei a edição da Sundermann, então se você tem ela na mão, e ela tem esse material, pode considerar esta resenha cinco estrelas sem qualquer problema. Acredito, então, que nas duas dimensões de leitura (política e histórica) o livro é uma importante contribuição, ele não precisa ser lido na integralidade (salvo algum interesse mais específico), são vários escritos destinados a outros líderes de esquerda da época, que são relativamente independentes entre si. Podem, então, ser lidos parcialmente, em qualquer ordem. Do ponto de vista histórico, conhecer esta obra é conhecer como o nazismo conseguiu se impor tão facilmente na Alemanha, um dos países mais industrializados e cultos da Europa. A partir dessa leitura, fica mais claro entender como isso aconteceu, e os erros de diversos campos políticos que tornaram isso uma tarefa fácil. Num momento em que o nazismo, ainda que tivesse grande força, estava longe de ser uma força irrefreável, a política de imobilismo levada por Stalin (que não permitia aliança com os setores majoritários da social-democracia) levou a uma derrota histórica, com as consequências desastrosas que conhecemos.

    7 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.5 / 11
    • 5 estrelas45%
    • 4 estrelas45%
    • 3 estrelas9%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
     Lev Davidovich Bronstein profile picture

    Lev Davidovich Bronstein

    Foi um intelectual marxista e revolucionário bolchevique, fundador do Exército Vermelho e rival de Stalin na tomada do PCUS à morte de Lênin. Os primeiros tempos da União Soviética desempenhou um importante papel político, primeiro como Comissário do Povo (Ministro) para os Negócios Estrangeiros; posteriormente como criador e comandante do Exército Vermelho, e fundador e membro do Politburo do Partido Comunista da União Soviética. Afastado por Stalin do controle do partido, Trótski foi expulso deste e exilado da União Soviética, refugiando-se no México, onde veio a ser assassinado por Ramón Mercader, dito por alguns como agente de Stálin, e por outros como um trotskista fanático. As suas ideias políticas, expostas numa obra escrita de grande extensão, deram origem ao trotskismo, corrente ainda hoje importante no marxismo.

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    Lev Davidovich Bronstein