"Em A lenda de João, o assinalado, Margarida Patriota prima pelo rigor estético ao retratar a história de Cruz e Souza, homem sofrido e poeta marginalizado. É uma narrativa linear (facilitadora da leitura), com uma linguagem exaustivamente lapidada. A prosa poética dá o tom ao mesmo tempo doce e pesado aos sonhos e frustrações do protagonista. As recorrentes tentativas de se firmar socialmente como escritor, a labuta pela sobrevivência e a exclusão, são elementos geradores de crescente desesperança. O leitor participa da angústia que emana do texto, sente-se aflito e impotente em relação à sucessão de fatos que comprovam, a todo instante, a crueldade de uma sociedade de castas. Linguagens tradicionais e contemporâneas em suas diversidades são incorporadas à construção artesanal do texto — que resulta no estilo, ou seja, na peculiaridade da obra, na invenção de uma forma a partir de todas as formas existentes. Lenda é narração. O texto de Margarida é uma mutação do gênero, pois, embora preserve a “narratividade”, acrescenta-lhe sensorialidade. Escrito com lamento e ternura, o texto comunga com o leitor a vida vivida e a sonhada de um dos maiores poetas brasileiros. Com este trabalho, Margarida abraça o poeta e o pinta com cores van goghianas. Homenagem à altura do homenageado. É tudo que Cruz e Souza desejou: reconhecimento. A velha pergunta se repete: até quando hostilizaremos os poetas verdadeiros?" Cida Sepulveda. Gazeta do Povo

