Aqui América Latina - Uma especulação

    Josefina Ludmer

    UFMG
    2013
    183 páginas
    6h 6m
    ISBN-13: 9788570419859
    Português Brasileiro

    Este livro apresenta reflexões instigantes sobre o universo “real virtual” a que a autora chama de imaginação pública ou fábrica de realidade. Sua lógica é a da conexão e superposição de todo o visto e o ouvido; seu fio condutor, a produção literária contemporânea na América Latina. Fernando Vallejo, Horacio Castellanos Moya, Martín Kohan, Perla Suez e Diamela Eltit definem uma forma específica de “realidadeficção”, que transita por novos territórios e temporalidades. Ao delinear com argúcia e sensibilidade crítica sua especulação, Josefina Ludmer nos oferece uma obra decisiva para se pensar a configuração cultural e política da atualidade.

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    Berttoni Licarião26/08/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Faz parte da sina dos teóricos estar sempre um passo atrás da literatura: a pulsão analítico-taxionômica da crítica nunca conseguirá acompanhar o fato literário—aquilo que não é homogêneo e está vivo, que se transforma em diferentes contextos e acompanha as mutações culturais. Alguns textos críticos, no entanto, são tão abertos e indefinidos, tão abrangentes e inquietantes, que, mesmo partindo de um recorte tempo-espacial específico (no caso, a literatura argentina no ano 2000), conquistam o benefício da dúvida. Escrito parte como ensaio semi-desvairado (livre e sem requintes teórico-metodológicos), parte como diário de um ano sabático, Aqui América Latina mergulha na memória do presente em busca de novos regimes de sentido e novas políticas do pensamento. . Não se enganem: o procedimento de Ludmer é provocar, buscar novos aparatos, “pensar com imagens e perseguir um fim secreto”. Caso não entre no “jogo” proposto, cujas regras vão sendo elaboradas durante a partida (muito à maneira do próprio texto literário), o leitor corre o risco de sair de mãos abanando, com a sensação de que perdeu algo muito importante mas não faz ideia do quê. Ao sabor de suas próprias leituras e descobertas, a “pesquisa” de Ludmer (palavra que a autora possivelmente condenaria) propõe pensar a literatura a partir de dois eixos especulativos—as temporalidades e os territórios—tendo por base a maneira como esses eixos definem a “fábrica de realidade” que ela chama de “imaginação pública”. Segundo Ludmer, pensar o presente da/na América Latina significa reconhecer a indissociabilidade entre ficção e realidade, um procedimento que “não lê literariamente (com categorias literárias como obra, autor, texto, estilo, escrita e sentido), mas através da literatura, na realidadeficção e na ambivalência”. . Parece doido (e talvez o seja), mas a necessidade de novos instrumentos críticos que aproximem leitor e obra, literatura e público, literariedade e mundo, fala mais alto; uma loucura que constrói marcos teóricos sobre as bases impermanentes da especulação.

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