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    O que Hitler me disse - Documentos para a História da Guerra

    Hermann Rauschning

    Edições Dois Mundos
    1940
    302 páginas
    10h 4m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
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    Obra de Hermann Rauschning, eleito em 1933 Presidente do Senado do Estado Livre de Dantzig o que o leva a ter várias audiências com Adolf Hitler. É dessas audiências e conversas, então realizadas, que nos fala neste livro. Segundo o autor, aqui se descobre o verdadeiro desígnio de Hitler, o desígnio que ele pretende realizar por intermédio do nacional-socialismo e que nunca poderemos descobrir no “Mein Kampf” visto este ter sido escrito para as turbas. A doutrina nacional-socialista possui também o seu esoterismo, que se professa e se divulga num pequeno número de meios restritos e perante uma espécie de super-escol. Os S.S., as Juventudes Hitlerianas, as esferas dirigentes da política, todos os organismos políticos, comportam, à margem da multidão de filiados, um pequeno grupo de iniciados. Hitler nunca revelou os seus verdadeiros objectivos políticos senão nesses meios hermeticamente fechados, e é por aí, precisamente, que o autor os pode ouvir da própria boca do Führer. As conversas efectuaram-se no último ano que precedeu o acesso de Hitler ao poder, assim como em 1933 e 1934, depois do advento do nacional-socialismo. O autor transcreve uma grande parte dessas conversas quando ainda está sob a imediata impressão das palavras que ouvira, de maneira que o seu relato possui, quase sempre, senão sempre, o valor de uma reprodução literal. Hitler exprime-se aqui livremente, na familiaridade dos seus devotos. Expõe sem preparo as suas ideias, as ideias sinceras que sempre escondeu das massas. Um só homem reduziu aqui uma época inteira a um absurdo. Ofereceu-nos um espelho onde vemos, deformada sem dúvida, mas parcialmente reconhecível, uma imagem de nós mesmos. Hitler não foi apenas a expressão do germanismo; representou também toda uma geração que a cegueira fulminou. Um homem conduzido pelos seus impulsos tomou à letra, qual novo D. Quixote, aquilo que, para outros, nunca foi senão uma tentação do espírito.

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